Crítica de cinema - Bom Comportamento (2017)




País: EUA
Título original: Good Time
Data de lançamento: 19 de outubro de 2017
Classificação: 16 anos
Duração: 1h45min.
Direção: Ben Safdie, Josh Safdie
Elenco: Robert Pattinson, Jennifer Jason Leigh, Bem Safdie, Barkhad Abdi, Buddy Duress, Taliah Webster
Roterista: Joshua Safdie, Ronald Bronstein
Gênero: Drama, Suspense, Policial
Distribuidora: Paris Filmes

Sinopse: O plano de Constantine Nikas (Robert Pattinson) era assaltar um banco e descolar uma boa quantia em dinheiro, mas nada sai como o planejado e seu irmão mais novo acaba sendo preso. Decidido a resgatá-lo, Constantine embarca em uma perigosa corrida contra o relógio, e onde ele mesmo é o próximo alvo da polícia.

O filme do qual falarei hoje também é sobre uma relação entre irmãos, mas é bem diferente do último. Para começar, Bom comportamento é um filme de ação com perseguição policial, e é um filme independente.

Constantine e Nick Nikas são irmãos. Logo de início, ficamos sabendo que Nick possui algum tipo de deficiência mental, e está em um psicólogo falando sobre algum conflito com a avó, sua figura materna principal. Em seguida, Connie, como o irmão é chamado, interrompe a sessão, quando o terapeuta está prestes a fazer com que ele se abra. Nessa primeira parte, também sabemos que Constantine não mora com a avó.

Na cena seguinte, os dois vão fazer um assalto a banco, com máscaras para disfarçar sua fisionomia. Fica implícito que Connie é acostumado a conduzir assaltos do tipo, e usa o irmão nos roubos. Aparentemente, eles são bem-sucedidos, e conseguem os 65 mil dólares. No entanto, a empreitada dá errado, e ao serem abordados, Nick entra em pânico e sai correndo. Connie escapa com facilidade, mas o irmão acaba preso ao colidir com uma porta de vidro.

A partir de então, Nick na cadeia, ao mesmo tempo com tendências violentas, como uma criança brigando pelo controle remoto, e a inocência de não saber que não deve brigar com presidiários. A briga que se segue o deixa em um hospital.

Do outro lado, Connie tenta levantar o dinheiro necessário para pagar a fiança do irmão, fugindo ao mesmo tempo da polícia. Uma parte ele entrega para o oficial, mas ainda faltam dez mil dólares. Na mesma noite, ele descobre que o irmão está internado, e que mesmo que conseguisse o dinheiro, precisaria esperar que ele tenha alta, para ser liberado. Mas nem isso ele tem, porque a pessoa que pagaria o restante usa o cartão da mãe, que é cancelado na mesma hora.

A partir daí, Connie tenta resgatar o irmão, e ao pegar o homem errado, consegue um novo cúmplice, um ex-presidiário que, no seu primeiro dia em liberdade, foi parar no mesmo hospital que Nick.

Bom comportamento me deixou sem fôlego. A começar, os dois atores principais. Eu já conhecia Robert Pattinson, claro, por seus papéis em Harry Potter, Crepúsculo e Água para Elefantes, mas em Bom Comportamento ele está simplesmente irreconhecível, e nem falo do trabalho de caracterização em cima do personagem, com barba e um cabelo mais longo e oleoso, deixando-o com um ar sujo e envelhecido. Contudo, além das características físicas o afastarem muito, do eterno Vampiro Edward, a atuação de Pattinson melhorou tão dramaticamente, que eu tive dificuldade de identificá-lo, a princípio.

Ben Safdie, que faz o papel de Nick, fez um trabalho excelente como ator, sem apelar para estereotipias de uma pessoa com necessidades especiais. Inclusive, Ben se destaca mesmo aparecendo em pouquíssimas cenas, no início e no fim do longa. Na primeira cena, com o terapeuta, Nick não diz quase nada, e a câmera foca apenas no seu olhar, para mostrar ao mesmo tempo, a sua falta de compreensão, a dificuldade de abstração, e o fato de estar se emocionando ao se lembrar de um fato.

Mas a parceria entre irmãos se estende para os bastidores também. Junto com o próprio irmão, Josh Safdie, Ben dirigiu o filme que já foi premiado em Cannes, em mais um trabalho dos irmãos Safdie. Josh também foi o roteirista do mesmo filme.

O roteiro também é extremamente bem escrito. O filme tem personagens que criam identificação com o espectador, apesar de cometerem crimes. Aliás, o título em Português remete menos aos personagens principais, e sim ao coadjuvante que havia saído da cadeia e tem medo de voltar.

As escolhas dos irmãos Safdie enquanto diretores fazem com que o filme tenha um ritmo mais acelerado, com definição inferior, dando a impressão de ser um filme caseiro. Bom comportamento me lembrou “Apha Dog”, tanto pela caracterização de atores até então vistos pelo público como colírios teen, quanto pela ausência completa de empatia dos mesmos, quanto pela direção, embora Alpha Dog seja mais chocante.

A trilha sonora é um dos fatores contribuintes para a qualidade do filme, tendo sido inclusive premiada em Cannes. Uma das músicas de destaque do longa, “The Pure and the Damned”, escrita por Oneohtrix Point Never, em colaboração com Iggy Pop, poderia ter sido o título do mesmo, por caracterizar os irmãos.

O personagem de Pattinson me remeteu ainda ao personagem de Leo DiCaprio, Frank Abgnale Jr., em Prenda-me se for capaz, pelo jogo de cintura de ambos, bem como a habilidade de sair de qualquer situação usando um misto de carisma e pensamento rápido. “Eu tenho certeza de que fui um cachorro em outra encarnação. É por isso que as pessoas gostam de mim”, diz Connie a uma menina de dezesseis anos, logo antes de seduzi-la. Posteriormente, quando, por sua causa, ela vai presa, ele finge não conhecê-la. Além disso, o personagem descarta seus aliados, sem demonstrar culpa, assim que deixam de ser úteis. A única possível exceção é o irmão. Aliás, é Nick que o redime de ser um completo psicopata, pelo carinho (embora torto) com que o trata. Uma das últimas cenas é o enquadramento do rosto de Connie encarando a câmera por alguns minutos. É inquietante, e chega a dar medo.

Recomendo esse filme, de coração, para todos que gostam de sofrer emoções fortes e aproveitar uma boa história sem efeitos especiais que, embora independente, não deva nada aos filmes de Hollywood do gênero, inclusive é superior. “Bom Comportamento” é uma injeção de adrenalina, com perseguição policial, fuga e cenas bem construídas que, com o perdão do trocadilho, te prende na cadeira do início ao fim.

Assista ao trailer oficial: https://goo.gl/QYbss3

Crítica colaboradora Larissa Rumiantzeff

Agradecemos mais uma vez à Aliança de Blogueiros do Rio de Janeiro que proporciona esses encontros incríveis e a oportunidade de ter acesso às cabines para fazermos as críticas para vocês!


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