Crítica de cinema - De volta para casa (2017)



País: EUA
Título original: Home Again
Data de lançamento: 19 de outubro de 2017
Duração: 1h30min.
Direção: Hallie Meyers-Shyer
Roteiro: Hallie Meyers-Shyer
Elenco: Reese Witherspoon, Nat Wolff, Jon Rudnitsky, Pico Alexander, Michael Sheen, Candice Bergen, Lake Bell, Reid Scott
Produtor: Nancy Meyers
Gênero: Comédia, Romance
Distribuidora: Open Road Films

Sinopse: Recém-separada do marido, Alice Kinney (Reese Witherspoon) decide recomeçar a sua vida se mudando para sua cidade natal, Los Angeles, com as suas duas filhas. Durante uma comemoração noturna do seu aniversário de 40 anos, Alice conhece três aspirantes a cineastas que precisam de um lugar para morar. Ela deixa os rapazes permanecerem em seu quarto de hóspedes temporariamente, mas o acordo gera situações inesperadas. A nova família de Alice e um novo amor em vista chegam a um ponto crucial quando seu marido aparece.



“Quando você faz uma escolha sobre a sua vida aos vinte e cinco anos, você pensa ‘será que é uma boa escolha para o resto da sua vida'”?

É essa pergunta que a protagonista de “De volta para casa” (Home Again) se faz, e que parece mover a sua trajetória. Alice Kinney, interpretada por Reese Witherspoon, está fazendo 40 anos, recém-separada do marido, e com duas filhas. As três acabaram de se mudar para Los Angeles, na Califórnia, para a casa onde o pai de Alice, um falecido cineasta premiado, morava. A filha mais velha de Alice, Isobel, está sofrendo com a mudança de estado e de escola, e as duas meninas sentem falta do pai. O que elas não sabem é que Alice também está sofrendo: Com a mudança, com a nova idade, com o fato de, aos 40 anos, um marco para uma mulher, não ter uma carreira estabelecida, fazendo algo para o qual tenha talento de fato. Já tentou ser fotógrafa, agora quer ser decoradora de interiores. Em suma, Alice está em vias de que recomeçar a própria vida, em uma idade em que se supõe que as pessoas já têm que ter tudo resolvido.

Após comemorar seu aniversário com as amigas e três estranhos, sendo um deles Harry, com quem ela ficou na boate, os quatro acabam, por força do destino e da interferência da mãe de Alice, Lilian (Candice Bergen), morando sob o mesmo teto. Acontece que os dois irmãos e seu amigo Harry, Teddy e George, com vinte e poucos anos, são cineastas promissores (e desabrigados) nova iorquinos, em busca de um produtor para o seu curta. Eles são millenials e não tem dinheiro para bancar mais uma noite em um hotel. Ela possui uma casa de hóspedes, que a mãe a convence a oferecer para eles ficarem até conseguirem um produtor para o seu filme ou dinheiro para conseguir outro lugar para ficar, o que acontecer primeiro.

Esse é o fator complicador da história. Pouco a pouco, devido aos seus interesses em comum, os três começam a se envolver cada vez mais na rotina da família. Enquanto isso, o possível futuro ex, Austen, volta de Nova York, para marcar território, assim que percebe que tem gavião ciscando na área. Aliás, um não, três.

A comédia romântica “De volta para casa” marca a estreia de Hallie Meyers-Shyer como roteirista e diretora. Meyers-Shyer é filha de Nancy Meyers, que vocês devem conhecer de comédias como  “Operação Cupido” (1998), “Alguém tem que ceder (2003), "Simplesmente complicado" e “O Estagiário”. Sua pegada é mais voltada para mulheres de carreira, com 30 anos em média, e muitas vezes gira em torno do equilíbrio da carreira e da vida amorosa. Hallie Meyers-Shyer, além de ter atuado em vários dos filmes dirigidos pela mãe, parece ter absorvido um pouco do estilo da mãe para filmes, se tomarmos esse seu filme de estreia como exemplo.

“De volta para casa” proporciona uma história fofa, leve e engraçada, criada e atuada por mulheres. Os personagens são carismáticos, mesmo quando não são 100% realistas. É possível criar uma identificação com Alice Kinney, se apaixonar pelos rapazes que ficam em sua casa (embora sinceramente eu gostasse mais do George) e torcer pela Isobel.

Logo na primeira cena, o filme apresenta uma montagem contando a história do pai de Alice, e de como ele era um cineasta conhecido e premiado, e da história com Lilian, que teria sido a musa de grande parte dos seus filmes. Acredito que a intenção tenha sido mostrar que Alice havia crescido sob a sombra do próprio pai, em um lar onde todos eram talentosos. Mais tarde, seu marido dá prioridade ao trabalho. É como se Alice estivesse sempre à sombra de pessoas com mais talento, mais motivação. É como se a história que Lilian viveu com o ex-marido se repetisse com a filha. Nesse ponto, a história me remeteu a “Dizem por aí”, e quase perdi o interesse.

Outro ponto que, apesar de não ter me impedido de gostar do filme, me pareceu um pouco cliché, foi as filhas precoces. Isobel, a pré-adolescente, cria uma identificação maior pela sua vulnerabilidade, e pela relação com George. Mas a menorzinha me lembrou de todos os personagens infantis precoces que já vi.

Em uma das cenas, o produtor conversa com os três cineastas sobre o seu filme, o que apresenta uma questão metalinguística interessante. Outro aspecto é a mudança que eles ofereceram à casa de Alice, trazendo leveza para a forma como ela vê a própria vida, e afetando a vida das suas filhas também.

“De volta para casa” contou com um elenco respeitável que defendeu bem o filme, mesmo não sendo o melhor de suas carreiras. Sou suspeita para falar de Reese Witherspoon. Eu sempre adoro todos os filmes em que ela atua, e sou uma grande fã. O resto do elenco, incluindo Michael Sheen e Candice Bergen, também não decepcionou. Mas também não surpreendeu.

Entretanto, Nat Wolff, queridinho do público adolescente por seu trabalho em “A culpa é das estrelas” e “Cidades de Papel”, faz novamente o papel do melhor amigo engraçado. Se não tomar cuidado, pode não receber papéis diferentes.

Em suma, apesar dos pequenos detalhes, eu recomendaria essa comédia para um público feminino. Não poderia ser diferente, afinal os temas são pertinentes ao nosso universo, principalmente para quem está vivenciando uma experiência parecida com a da protagonista. Também tem um valor especial, quando levamos em conta que mulheres em Hollywood com mais de 40 anos, raramente recebem um papel de destaque. E aqui temos um filme escrito por uma mulher, com uma protagonista que está entrando nos “enta”.

Não assistam, porém, como um “filme da filha de Nancy Meyers”, nem como o melhor filme do ano. É mais uma comédia romântica agradável estilo sessão pipoca que você assiste sem grandes expectativas, pode ou não se identificar com a protagonista, solta algumas gargalhadas, e sai do cinema mais leve. E principalmente, dependendo do seu gosto, rezando para ganhar três homens atraentes de aniversário. É de aliviar qualquer crise de meia idade. 

Trailer: https://goo.gl/XEnrVL

                                                                            Crítica colaboradora Larissa Rumiantzeff

Agradecemos mais uma vez à Aliança de Blogueiros do Rio de Janeiro que proporciona esses encontros incríveis e a oportunidade de ter acesso às cabines para fazermos as críticas para vocês!

Nossa querida colaboradora Larissa registrando o momento na Paramount:



Nenhum comentário