Crítica de cinema - A Noiva (2017)



País: Rússia
Título original: Невеста, ou Nevesta
Data de lançamento: 2 de novembro de 2017
Duração: 1h33min.
Direção: Svyatoslav Podgayevskiy
Gênero: Terror
Distribuidora: Paris Filmes

Sinopse: Há muitos anos, na época vitoriana, era uma prática comum tirar fotos de pessoas mortas. Acreditava-se que a alma do defunto era preservada no negativo. Nesse contexto, na Rússia, um desses fotógrafos de cadáveres tira uma foto de sua noiva, que havia morrido antes do casamento. Desesperado por ressuscitá-la, ele decide fazer uma transferência de corpos, por meio do vestido e do anel da noiva. Ao enterrar viva uma camponesa virgem com esses objetos, ele consegue fazer tal transferência, mas algo dá errado. O ritual foi interrompido por uma presença sinistra, e ao acordar a jovem não acorda de bom humor, pra dizer o mínimo. Com isso, quem vai arcar com as consequências sinistras é o fotógrafo e todas as gerações futuras de sua família.

Nos dias atuais, a jovem Nastya está ansiosa por seu casamento com Ivan (no filme, ele é conhecido como Vanya, diminutivo do nome). Contudo, estranhamente, ela não conhece a sua família. Após o casamento no civil, e de consumarem a sua união, Vanya recebe uma ligaçao de sua irmã, Liza, que o impele a viajar para a sua cidade natal.

Pra quem já teve medo de conhecer os pais do parceiro, vocês não viram nada. A casa da família de Vanya é tao antiga que dá pra sentir o cheiro de mofo só de ver o filme, e dizer que seus parentes são estranhos é bondade. O pai parece uma cruza do tropeço com o Filch, de Harry Potter, e mal fala. Liza, a irmã, insiste em que os pombinhos fiquem na cidade para realizarem uma festa de casamento, chegando inclusive a dar a Nastya o anel que passou de geração a geração, e o vestido em que a sua bisavó se casou.

Daí por diante, as coisas vão ficando cada vez mais estranhas. Vanya desaparece, Nastya começa a ter alucinações dignas do Cisne Negro, e revela-se que a moça é apenas a nova virgem destinada ao sacrifício para a “Mãe”, a mulher que havia sido ressuscitada décadas antes pelo ritual diabólico.


Existem filmes de terror com sustos, outros trabalham a agonia crescente. “A Noiva” trabalha com o ilusionismo. Ao confundir o espectador, com uma quantidade enorme de cenas de perseguição sem sentido e personagens aleatórios, ele cria uma cortina de fumaça para encobrir um roteiro falho.

“A Noiva” foi uma série de decepções. Eu fui assistir ao filme com a expectativa lá no alto. Primeiro, porque era um filme de terror russo, e eu nunca tinha assistido um filme russo que não fosse um daqueles clássicos em que alguém morre de depressão, muito menos um do gênero que não fosse norte-americano. Além do mais, meu avô era russo e meu pai fala russo. Pode ver meu sobrenome.

Mas a primeira desilusão veio quando o filme se revelou ser dublado em Inglês, com legendas em Português. Tanto o áudio quanto a legenda eram tão esquisitos que me fizeram sentir falta da sessão da tarde e das novelas mexicanas do SBT. Foi ruim a esse ponto. Não entendi por que não deixaram o áudio simplesmente no original. 

Infelizmente, essa não foi a única decepção. O filme, que nos primeiros 10 minutos parecia original e interessante, pelo estilo de narração como de páginas de um diário, perdeu o ritmo e o sentido a partir do momento em que passou para os dias atuais, se tornando uma sucessão de clichês dos anos 90. Já no final do século XX, surgiam filmes que satirizavam o gênero, e apesar de não ter essa intenção, a cada minuto que se passava, “A Noiva” se assemelhava cada vez mais a “Todo Mundo em Pânico”.

O roteiro fraco optou por dizer em vez de mostrar, e talvez por uma diferença cultural, as cenas que usou para fins de exposição soavam mais artificiais do que as suas falas. O enredo era repleto de buracos, gerando cenas inverossímeis e uma protagonista burra. Só assim para descrever Nastya. Frágil, passiva, sem voz. Nastya era apenas a ovelha para o sacrifício desse filme. A única coisa que me manteve presa à tela até o final foi a espera por alguma explicação que fizesse aquela bagunça ter algum sentido.

A mixagem de som também deixou a desejar. Não precisa ser especialista em edição de som para estranhar o fato de as vozes estarem sempre no mesmo volume, inclusive com portas abertas ou fechadas.

Em suma, não recomendo. Vi coisas (bem) melhores no saudoso Cine Trash. 

Crítica colaboradora Larissa Rumiantzeff

Agradecemos mais uma vez à Aliança de Blogueiros do Rio de Janeiro que proporciona esses encontros incríveis e a oportunidade de ter acesso às cabines para fazermos as críticas para vocês!

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