Crítica de cinema - Tempestade: Planeta em fúria (2017)



País: EUA
Título original: Geostorm
Data de lançamento: 19 de outubro de 2017
Classificação: 12 anos
Duração: 1h49min.
Direção: Dean Devlin
Elenco: Gerard Butler, Jim Sturgess, Abbie Cornish, Alexandra Maria Clara, Daniel Wu, Ed Harris, Andy Garcia, Zazie Beetz, Talitha Bateman
Produtor: David Ellison, Dana Goldberg, Dean Devlin
Roterista: Dean Devlin, Paul Guyot
Gênero: Ação, Ficção científica
Distribuidora: Warner Bros.


Sinopse: ocorrência cada vez mais frequente de eventos climáticos capazes de ameaçar a existência da humanidade faz com que seja criada uma extensa rede de satélites, ao redor de todo o planeta, de forma a controlar o próprio clima. Apelidado de "Dutch Boy", este sistema construído a partir da cooperação de 17 países é coordenado pelo engenheiro Jake Lawson (Gerard Butler). Após anos de dedicação, ele é afastado da função devido a questões políticas e, em seu lugar, é nomeado seu irmão caçula, Max (Jim Sturgess). Três anos depois, quando a coordenação do "Dutch Boy" está prestes a ser transferida dos Estados Unidos para a ONU, falhas pontuais provocam uma forte nevasca em pleno deserto no Afeganistão e altíssimas temperaturas em Hong Kong, que matam centenas de pessoas. Jake é então convocado para descobrir o que está acontecendo e, enviado para a estação internacional, desvenda uma imensa conspiração ao mesmo tempo em que precisa deixar para trás os atritos existentes com Max.

Em 2019, desastres climáticos no mundo inteiro motivaram a criação conjunta, por 18 países, de um sistema de defesa contra desastres climáticos. O arquiteto Jake Lawson (Gerard Butler) está à frente da construção de Dutch Boy, chamado assim por causa do livro em que um menino impede a explosão de uma represa ao enfiar o dedo na rachadura. Dutch Boy consiste em uma série de satélites controladores de desastres naturais, situados em torno da Estação Espacial Climática Internacional.

Contudo, após uma audiência em que ele perde o controle e insulta um senador, Jake Lawson é demitido pelo próprio irmão, o diplomático Max Lawson (Jim Sturgess). Isso gera uma tensão na já conturbada relação entre os dois.

Três anos depois, dias antes de os Estados Unidos encaminhar o controle de Dutch boy para a comunidade internacional, uma série de catástrofes naturais e mortes ainda mais estranhas do que a de anos antes indicam um possível defeito crítico em Dutch boy, e Max é incumbido da missão de convencer o irmão a voltar para a estação e identificar o defeito, além de consertar a falha, antes que se desenvolva uma geotempestade, uma série de desastres em cadeia, alimentados entre si. Enquanto isso, uma tempestade política se forma no mundo todo.

Porém, consertar um sistema de satélites e prevenir uma série de desastres de proporções apocalípticas não é nada, perto de enfrentar um irmão amargurado por ter perdido a família e o emprego. Para piorar, ao assumir a tarefa, os dois descobrem que o tal defeito pode não ser acidental.

Em termos de filmes retratando desastres naturais, “Tempestade” me surpreendeu em vários aspectos. Em primeiro lugar, é muito próximo da nossa realidade. Os desastres naturais narrados pela filha de Lawson nas cenas iniciais começam em 2019, daqui a pouco mais de um ano. Em segundo, eles já estão acontecendo, e ainda temos políticos que insistem que o aquecimento global é um mito, descumprindo acordos internacionais e colocando o resto do planeta em risco em nome do “progresso”.

Além disso, ao focar no aspecto político, ele coloca nas mãos das pessoas, de nós todos, o controle da história. Não se trata de um meteoro, muito menos de um vulcão ou de um furacão. Os melhores filmes de ficção científica retratam medos contemporâneos e, atualmente, parece que já vivemos um filme distópico.

Por último, senti que a relação dos irmãos serviu mais como um recurso narrativo, ao dar dois pontos de vista, do que uma forma de manipular o espectador a torcer por eles. Claro que a construção dos personagens, bem como os próprios atores, é impecável, e você torce por eles mesmo assim. Tinha ainda a filha do Lawson, Hannah, a narradora, que desempenhou um papel parecido com o de Murphy, a filha de Matthew McConaughey na primeira parte de Interestelar: o da filha que espera o pai voltar do espaço.

Por falar em personagens, eles não eram vazios. Existe um crescimento dos dois personagens centrais. Temos homem versus homem, homem versus ambiente, e homem versus ele mesmo, entre os conflitos que permeiam o enredo. Jake Lawson e Max Lawson são irmãos cuja morte da mãe dificultou a sua relação. Ao longo da história, mostra-se uma inversão de papéis, onde o irmão mais novo é retratado tomando conta do mais velho, e fazendo papel do disciplinador, responsável, trabalhando a favor do establishment acima da família e dos relacionamentos, enquanto o outro se mostra mais explosivo, espontâneo e até pouco confiável, não hesitando em quebrar regras e desagradar figurões, mostrando até uma certa arrogância. Ao final do filme, Jake assume uma postura mais responsável, e Max para de querer agradar tanto aos outros, e começa a quebrar as regras, quando se trata do bem comum.

O suspense fica por conta de não sabermos quem está por trás do defeito do Dutch boy, e em quem se pode confiar. A lista é enorme, e o filme te mantém preso na tela e na cadeira o tempo inteiro, sem saber o que acontecerá.

Claro que, ao retratar o Rio de Janeiro em algumas cenas, faltou uma pesquisa básica do Google Maps, pois mostra uma mulher de biquíni, correndo da praia de Copacabana ao que parece o Centro. Um erro que qualquer brasileiro que conhece minimamente o Rio pegaria fácil.

Porém, se passarmos por cima dessa falha, e de outras questões menores, é uma ótima pedida para quem curte filmes inteligentes de ficção científica e ação. Eu mesma, que evito filmes de catástrofe, adorei. O filme é interessante, não requer um conhecimento técnico para entender, não abusa dos efeitos especiais vertiginosos sem contexto, e é divertido. Já falei dos colírios, né?

Por outro lado, o filme colocou mulheres em posições de poder. De um lado, Max conta com Sarah Wilson, a sua noiva, (Abbie Cornish), agente do serviço secreto americano, e com a ajuda de uma hacker, Dana (Zazie Beetz), e do outro lado, Jake conta com o apoio de seu braço direito, a alemã Ute Fassbinder (Alexandra Maria Clara), comandante da estação Espacial. Ainda não estão na posição de protagonistas, mas pelo menos tem mulheres exercendo papéis de destaque em um filme de ação com ficção científica, e na área de STEM, ainda por cima. Estão no caminho certo.

Além disso, serve como alerta para o destino do planeta, e para ficarmos atentos a quem está encarregado de tomar as decisões que podem afetá-lo diretamente. 

Assista ao trailer oficial: https://goo.gl/gqqLtM


Amanhã nos cinemas de todo Brasil!


Crítica colaboradora Larissa Rumiantzeff


Agradecemos mais uma vez à Aliança de Blogueiros do Rio de Janeiro que proporciona esses encontros incríveis e a oportunidade de ter acesso às cabines para fazermos as críticas para vocês!

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Um comentário

  1. É um maravilhoso filme, divertido e eu desfrutei muito. Desde que vi o elenco de Tempestade imaginei que seria uma grande produção, já que tem a participação de atores muito reconhecidos de Hollywood, ainda não tive oportunidade de ver o filme, mas muita gente já me recomendou. Eu amo os filmes com gerard butler, lembro dos seus papeis iniciais, em comparação com os seus filmes atuais, e vejo muita evolução, mostra personagens com maior seguridade e que enchem de emoções ao expectador. Desfrutei muito sua atuação. A historia está bem estruturada, o final é o melhor. Se ainda não tiveram a oportunidade de vê-lo, eu recomendo.

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