Entrevista com Ray Tavares


Raissa Carolina Tavares Jacobucci - mas por ser nome de personagem de novela mexicana atende apenas por Ray Tavares - tem 24 anos, é formada em Gestão de Políticas Públicas pela USP e gosta de dizer que é como o Julius, de Todo Mundo Odeia o Chris: tem dois empregos. Gestora Pública porque sonha em mudar a realidade do Brasil e escritora porque não sabe viver sem narrar a vida dos personagens que existem na sua cabeça. Gosta de misturar as duas vocações e acredita que podemos transformar o mundo através da educação e da cultura. Ariana com ascendência em Gêmeos, alguns dizem que é o capeta, outros sabem que por debaixo de toda a grosseria existe um coração romântico e idealizador. Foi criada por uma capricorniana e um taurino, então gosta muito de ter dinheiro para comer. Começou a escrever fanfics de McFLY aos 13 anos, apaixonou-se pela literatura e nunca mais parou - ao contrário da banda, que aparentemente cansou de lançar álbuns. Atingiu a marca de mais de 2 milhões de leituras no Wattpad com a história "Os 12 Signos de Valentina", ganhou o prêmio Wattys de Voto Popular e tem cerca de 40 mil leitores na plataforma. Ama os livros da Meg Cabot, o mundo de Harry Potter, a série How I Met Your Mother, discutir política no Facebook, ter um crush novo a cada semana, unicórnios fofinhos e o cheiro de livro novo. Odeia gente preconceituosa, injustiça, a palavra "top" e o trânsito de São Paulo.


Você sempre leu bastante antes de se tornar escritora? Quais são suas obras favoritas de outros autores (nacionais e internacionais)? Sempre temos essa curiosidade sobre as pessoas que admiramos.
Siiiim, sempre fui rata de biblioteca! Comecei com os gibis da Turma da Mônica, depois evoluí para os romances - o primeiro que eu li foi O Diário da Princesa, acho que eu tinha uns 12/13 anos. No segundo e terceiro ano do Ensino Médio eu não tinha muitos amigos e não gostava do pessoal da minha escola, então passava todos os intervalos lendo. Eu lia o que tinha, sabe? Foi lá que li toda a coleção da Torre Negra, li os clássicos, li muita coisa ruim também. Além disso, o único gasto que eu dava para os meus pais eram os livros. Nunca fui muito apegada a roupas, maquiagens, acessórios, aparelhos, mas livros eu fazia questão de torrar todo o meu dinheiro e pedia para todo mundo de presente! Tanto que hoje eu tenho mais de 300 títulos; meu sonho é ter uma biblioteca particular. Acho importante um escritor ler muito, porque, mais do que saber do que a gente gosta, é saber sobre o que a gente nunca escreveria, por isso eu sempre procuro ler todos os estilos e temas. Acho que as minhas obras favoritas são Feliz Ano Velho, do Marcelo Rubens Paiva, porque me deu uma consciência política, social e humana muito boa. O Diário da Princesa, da Meg Cabot, porque foi o livro que me iniciou na literatura e a escritora é a minha maior inspiração. Harry Potter, da J.K., por motivos óbvios, né? Dom Casmurro, do Machadinho, e Capitu não traiu o Bentinho. E As Crônicas de Gelo e Fogo, do George Martin, porque um dia eu quero criar mundos e personagens tão bem quanto ele.

Qual foi o primeiro passo que você deu para entrar no mercado literário? Nós, leitores, ficamos felizes por você ter acreditado em seu talento inicialmente, pois se isso não fosse dessa forma, não teríamos sido agraciados com suas obras.
O primeiro passo foi admitir, depois de muitos anos escrevendo online, que publicar um livro era o meu sonho. O segundo foi quebrar a cara de todas as formas possíveis e imagináveis, chegando ao ponto de publicar o livro com uma editora não confiável e ver o meu sonho se tornar pesadelo na Bienal de São Paulo. O terceiro foi parar de ser orgulhosa e publicar um pedido de ajuda no Facebook. E então eu descobri que o ser humano pode ser muito bondoso, e que a gente precisa sempre estar preparado para quando a sorte nos sorri. Quando a Ana, editora da Galera, pediu o meu original, eu já tinha ele pronto, revisado e eu tinha confiança na minha obra. Por isso que eu digo a todo mundo que me pede ajuda: esteja sempre estudando e se aperfeiçoando, porque você nunca sabe o que o destino te reserva.

Meu cantinho favorito para escrever é…
A minha cama, embaixo do cobertor. Quando tá calor, eu ligo o ventilador na minha cara, mas não abro mão do cobertor!

Qual livro que você escreveu é o seu preferido e por qual motivo?
Os 12 Signos de Valentina, por ser o livro que mudou a minha vida de tantas maneiras, e por ser uma história bastante pessoal - não no modo “eu fiz tudo aquilo”, mas nas partes mais vulneráveis, em que eu abro o meu coração sobre relacionamentos quebrados, ser feliz sozinha e apaixonar-se novamente.

Se você olhar para toda a sua trajetória como escritora até aqui, você diria que seu maior desafio foi…
Segurar a minha impaciência. O escritor precisa ser paciente, precisa selecionar bem quem vai colocar as mãos na sua obra. Por querer as coisas muito e de maneira rápida (mesmo que o rápido tenha demorado 11 anos), acabei derrapando nisso, e quase perco a oportunidade de publicar pela Record por estar enrolada com outra editora que não valorizou o meu livro.

Quais são os seus conselhos para quem quer seguir a carreira de escritor?
Paciência, dedicação e amor. Você precisa de paciência para ultrapassar todas as dificuldades, e serão muitas, por se tratar de um mercado tão pequeno no Brasil, cheio de pessoas que querem se aproveitar do seu sonho. Dedicação, para ser sempre a melhor versão de si mesmo. E amor, porque escrever é abrir o coração e revelar seus sentimentos mais profundos para quem quiser ler - isso é um pouco assustador, mas se a gente ama o que faz, acaba entendendo que os nossos sentimentos podem ajudar outras pessoas.

Você pode nos contar um pouquinho dos seus planos para o próximo ano?
2018 vai ser um ano bem legal para mim. No primeiro semestre vai rolar o livro das heroínas, em que vou escrever um conto transformando Robin Hood em mulher; o livro também vai contar com Fernanda Young, Pam Gonçalves e Laura Conrado. No segundo semestre, se tudo der certo, o meu segundo livro solo será lançado. Eu ainda não posso adiantar muita coisa, porque também não é certeza, mas eu vou abordar a friendzone e todos os seus desdobramentos.

O que você considera mais gratificante na profissão de escritor?
Eu gosto de saber que tem gente rindo com o que eu escrevo. Gosto de saber que tem gente passando por momentos difíceis e esquece um pouco os problemas quando lê um livro meu. Gosto de saber que meninas estão aprendendo a se amar antes de tudo quando leem uma das minhas histórias. Eu gosto de influenciar de maneira positiva, de ter uma voz e usá-la com cuidado, de saber que posso abrir a cabeça de alguém para pesquisar mais sobre tudo o que nos rodeia.

Existe alguma temática que seja recorrente em seus livros? Se sim, isso é casual ou feito por algum motivo específico?
Comédia! Eu posso escrever sobre qualquer coisa, mas sempre vou dar um jeito de tentar fazer as pessoas rirem. Acho que vai muito da minha criação e do fato de que eu amo fazer os outros rirem.

Você se identifica muito com algum de seus personagens? Qual deles e quais seriam essas características em comum?
Com a Isadora, ariana doida, impaciente e impulsiva! Acho que é a personagem que mais se parece comigo.

Tome um de seus livros como referência e tente nos contar como foi o seu processo de escrita.
Posso pegar o conto que estou escrevendo agora, sobre o Robin Hood, porque é o primeiro que eu escrevo que não vou publicar online. Eu primeiro escrevi o roteiro, colocando tudo o que gostaria que acontecesse na história, explicando qual seria o ponto alto, qual conflito eu teria que resolver e tudo o que têm um roteiro. Depois, eu criei a ficha dos personagens para não me perder na construção deles ao longo da história - já fiz muito isso, de esquecer cor de cabelo, nome da mãe e profissão, então uso essas fichas para me guiarem. Depois, começo a escrever. Nessa fase, eu não reviso nada, eu só escrevo. Quando acabo (ainda não acabei, mas vamos supor que eu tivesse), deixo a história descansar por alguns dias, depois volto com a função de revisar e editar. É aí que, já sabendo o final, eu edito cenas, adiciono outras e faço tudo se conectar da melhor forma possível.

Sei que hoje em dia podemos acompanhar muito da vida dos nossos queridos autores principalmente em aplicativos como Insta Stories. Mas adoraríamos saber através das suas palavras, quem é você no dia a dia?
Eu nasci e cresci em São Paulo, trabalho (muito) em um emprego formal como auditora, passo muitas horas no trânsito, gosto de ficar em casa, ler e sair com os meus amigos/namorado. Sou muito idealista, acredito no Brasil e em todo o seu potencial, adoro política e temas relacionados. Eu sou muito de boa, bem tranquila, gosto de fazer piada o tempo todo e de comer. Sou um pouco impressionável também, sempre surto se preciso conhecer alguém importante/influente. Na Bienal do Livro, um dos editores disse que eu estava parecendo mais fã do que escritora, hahaha. No mais, sou bem comum, tenho meus dias de luta, dias de glória, dias de pagamento, dias de boleto.

Gostaria de deixar uma mensagem para seus leitores? Fique à vontade.
Gostaria apenas de agradecer, hoje e sempre, por tudo o que eles fizeram, fazem e sei que farão por mim. Escrever só tem graça quando eu sei que posso fazê-los rir, então obrigada por me manterem sempre inspirada.

Somos muito gratos pela oportunidade de recebê-la no Blog PontoComCultural!

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Wattpad: @ray_tavares

Confiram abaixo o recadinho que a Ray Tavares deixou pra vocês:




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