Resenha - A Garota no Gelo - Editora Gutenberg


Título Original: The Girl in the ice
Autor(a): Robert Bryndza
Editora: Gutenberg
Páginas: 336
Ano de Lançamento: 2016
Gênero: Ficção

Sinopse: Seus olhos estão arregalados… Seus lábios estão entreabertos… Seu corpo está congelado… Mas ela não é a única.

Quando um jovem rapaz encontra o corpo de uma mulher debaixo de uma grossa placa de gelo em um parque ao sul de Londres, a detetive Erika Foster é chamada para liderar a investigação de assassinato.
A vítima, uma jovem e bela socialite, parecia ter a vida perfeita. Mas quando Erika começa a cavar mais fundo, vai ligando os pontos entre esse crime e a morte de três prostitutas, todas encontradas estranguladas, com as mãos amarradas, em águas geladas nos arredores de Londres.
Que segredos obscuros a garota no gelo esconde? Quanto mais perto Erika está de descobrir a verdade, mais o assassino se aproxima dela.
Com a carreira pendurada por um fio depois da morte de seu marido em sua última investigação, Erika deve agora confrontar seus próprios demônios, bem como um assassino mais letal do que qualquer outro que já enfrentou antes.
Pra começar, como autora de romances policiais, — gosto de falar “militares” — eu achei que como uma boa escritora experiente, eu ia sacar a ousadia do Robert e desvendar o rumo da trama em pouco tempo. (risos) Mas, claro, não foi bem assim.

A Garota no Gelo é aquele clássico policial investigativo que tem o inspetor pica das galáxias, mas renegado por todos e indesejado, o chefe-mandão que fecha o cerco e dificulta os trabalhos da galera por estar sempre “com a corda no pescoço”, o policial invejoso que quer a todo custo um lugar de honra que não merece, e o inspetor bonitão, fechado, competente, mas que praticamente está ali só para dar apoio e chegar sempre na hora certa quando é preciso, a carta na manga de todos. Quem ama esse estilo de livro, sabe do que estou falando.

Tudo acontece em Londres, onde Erika Foster é a detetive talentosa que é chamada às pressas e chega na cidade para desvendar um assassinato um tanto quanto complicado. A vítima é Andrea Douglas-Brown, uma socialite à la Kardashians, de família da mais alta sociedade, que parecia ter uma vida perfeita. Festas luxuosas, baladas, homens bonitos, “amigos” bem-sucedidos...

É quando Erika decide descer “mais embaixo” que descobre que Andrea não era bem a definição de “garota perfeita” que toda a cidade e a mídia desenhavam.

Andrea tinha segredos, e com eles um sério problema, o poder que sua família tinha. Os  Douglas-Brown eram pais ausentes: Mãe (Diana Douglas-Brown) submissa, pai (Simon Douglas-Brown) fissurado por controle e empresário com título de Sir. cada vez mais sedento por poder e que manda/desmanda em toda polícia local — em toda a cidade, na verdade. —, um irmão (David Douglas-Brown) aparentemente invisível e carente, e uma irmã, (Linda Douglas-Brown) problemática, louca por gatos, desleixada, invejosa, e que nutria publicamente um ódio mortal por sua irmã Andrea: a favorita por todos e ao contrário dela, a filha bonita, magra, amada e muito desejada.

Só para não esquecer, Andrea estava noiva e o mais estranho: com um sócio do pai dela. Um cara totalmente fora dos “padrões” para a beldade acostumada com o melhor. Rico, mas franzino, baixinho, excêntrico...

Erika, extremamente dedicada e talentosa, tenta lidar com seus traumas após perder seu marido, Mark, também policial, e dá tudo de si para encontrar o assassino de Andrea, principalmente após descobrir que outras três garotas, assassinadas da mesma forma, também estavam ligadas ao possível assassino de Andrea. Garotas morenas, jovens do leste europeu e todas recém-chegadas com a mesma ambição, ser babá em Londres.

Em meio ao caos do acontecimento que vira um evento na cidade, ela precisa lidar com a mídia que não via a hora de uma notícia bombástica sobre o comportamento da socialite, com as rédeas curtas que o superintendente Marsh dava a ela, com o pai de Andrea que dificultava tudo para que a reputação da família não fosse manchada pelo comportamento da filha que se revelava cada vez mais surpreendente, e com o detetive Sparks que como eu já disse acima, tinha como hobby pegar em seu pé, atrapalhar seus planos de investigação e conseguir seu lugar a qualquer custo simplesmente por achá-la uma “maldita vadia, nojenta e metida”.

Quanto mais fundo Erika cavava, mais segredos obscuros ela descobria sobre Andrea e sua família; mais sentia seu emprego por um fio por enfrentar a família mais poderosa da cidade; mais exausta e emocionalmente perturbada pela presença constante das lembranças de sua inenarrável perda; e principalmente, mais se sentia virando, de repente, o novo alvo do assassino que já estava se sentindo ameaçado demais com sua ousadia por vê-la sempre chegar tão perto...

Enfim... A garota no gelo é um clássico. Achei Erika uma policial, apesar dos talentos, fraca pra luta. Ela não desanima, não desiste, toma aquela investigação como algo pessoal, — ela se identifica com as garotas. — e admiro isso, mas nunca li um livro onde uma policial apanha tanto. Ativamente, totalmente despreparada, cérebro bom, mas frágil na hora da porrada. E também quero ressaltar outra coisa que lamentei bastante, — claro que não desmereceu ou diminuiu a obra em si, óbvio. — mas eu estava esperando pacientemente por uma “redenção” para Erika, ela carrega uma culpa muito grande pela morte do marido. Amaria vê-la com um novo amor, e achei que rolaria com um legista gato que surgiu no meio da história, mas: só que não. Não rolou.

No mais, recomendo a leitura e até digo mais: tenham paciência ao inciarem porque o livro não me prendeu de cara, tanto que eu demorei pra voltar a pegá-lo, mas lá pro segundo capítulo: a mágica acontece!

Um beijo!

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Resenhista colaboradora Marjory Lincoln

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