Entrevista com Sofia Silva



Sofia Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal. É licenciada em Ensino Básico (1º Ciclo) pela Universidade Aveiro. Amante da literatura, em especial da poesia e, nela, de Pablo Neruda. Sempre gostou dos sentimentos contidos nas palavras e do poder que exercem sobre os leitores. Ávida devoradora de romance, com predileção pelos dramáticos de final feliz, desde jovem participa ativamente do meio literário. Em dezembro de 2014, iniciou-se na ficção através da plataforma online Wattpad com a série Quebrados, cujo foco são histórias sobre violência doméstica, deficiência física e abuso sexual. Com mais de 1 milhão de leituras e o apoio fervoroso das leitoras brasileiras, publicou, dois anos depois, o seu primeiro livro na Amazon, Sorrisos Quebrados, atingindo o top 10 de vendas em ebook no Brasil. Para o futuro, deseja continuar a dar voz aos problemas da sociedade através de personagens que ultrapassam inúmeros obstáculos e merecem ser felizes.


Você sempre leu bastante antes de se tornar escritora? Quais são suas obras favoritas de outros autores (nacionais e internacionais)? Sempre temos essa curiosidade sobre as pessoas que admiramos.
Muito. Na verdade, antes de me aventurar pela escrita como algo mais sério e profissional, eu resenhava livros em inglês. Gosto um pouco de tudo. Dentro dos clássicos preciso mencionar os poetas Fernando Pessoa e Pablo Neruda, que sempre gostei de ler. Nos romances, sou mais uma das milhares que cita ORGULHO & PRECONCEITO e OS MAIAS como obras que amei. Na literatura mais contemporânea e mais o meu gênero até de escrita, sigo atentamente autoras como Mia Sheridan, Colleen Hoover, Amy Harmon. É complicado escolher só um. Não consigo.

Qual foi o primeiro passo que você deu para entrar no mercado literário? Nós, leitores, ficamos felizes por você ter acreditado em seu talento inicialmente, pois se isso não fosse dessa forma, não teríamos sido agraciados com suas obras.
Criei uma conta no Wattpad a pedido de amigas que sempre diziam que eu deveria escrever uma história pois elas sabiam o quanto eu adorava escrever e criar enredos. Comecei em Dezembro de 2014 com CORAÇÕES QUEBRADOS e com cinco leitoras apenas. E foi muito o boca a boca das leitoras que fez com que de um livro eu decidisse escrever uma série de livros únicos sobre pessoas que vivem ou têm ligação com uma Clínica para pessoas com problemas mentais ou físicos. Passados dois anos e mais de um milhão de leituras, tudo aconteceu… e está acontecendo.

Meu cantinho favorito para escrever é…
Um espaço criado só com ligação à literatura. Uma forma de me encaixar no imaginário. Com plantas e muitos livros.

Qual livro que você escreveu é o seu preferido e por qual motivo?
HERÓIS QUEBRADOS, a versão que tenho. É o último livro da série e o mais forte. Em HQ a personagem principal é um menino que é abusado sexualmente e quando cresce tem aversão ao toque. É a história mais delicada que tenho da série e que espero que possa chegar nas mãos dos leitores como eu escrevi. É forte, mas doce ao mesmo tempo. É a despedida da série e acredito que a fechei com tudo que sempre quis das histórias.

Se você olhar para toda a sua trajetória como escritora até aqui, você diria que seu maior desafio foi…
Não mudar a minha escrita poética quando me falaram que seria difícil ter leitores com algo tão lírico, mas eu sabia que era preciso doçura em tanta dor que existe nas histórias.

Quais são os seus conselhos para quem quer seguir a carreira de escritor?
Não pensem em números de vendas, em dinheiro, em fama. Pensem em cativar leitores e escrever o que gostam. Há mercado para todos os gêneros e todo tipo de história. 
Ah, ARRISQUEM!

Você pode nos contar um pouquinho dos seus planos para o próximo ano?
No Brasil, pela Editora Valentina tenho o lançamento de CORAÇÕES QUEBRADOS. Em Portugal, pela Editora Presença, tenho o lançamento de SORRISOS QUEBRADOS. De forma independente – por escolha, pois amei a experiência na Amazon -  tenho o lançamento de um romance dramático que espero tocar os leitores com a mesma intensidade que senti ao escrevê-lo.

O que você considera mais gratificante na profissão de escritor?
Saber que as nossas palavras ajudam pessoas. Saber que, por exemplo, SORRISOS QUEBRADOS mudou a maneira como muitas pessoas olham a vítima de violência doméstica. Ainda existe muita culpabilização da vítima quando não deveria ser assim, mas pouco a pouco isso irá mudar. Saber que as palavras mudam o mundo, um leitor de cada vez.

Frase que me dá forças quando preciso...
Não é motivacional, mas uma frase que li há muito tempo e é o meu screensaver como lembrete, pois hoje é fácil esquecermos o importante e eu nunca quero que isso me aconteça: “Procure ser uma pessoa de valor em vez de procurar ser uma pessoa de sucesso”.

Existe alguma temática que seja recorrente em seus livros? Se sim, isso é casual ou feito por algum motivo específico?
Sim. Todos os livros dos QUEBRADOS acontecem numa Clínica e focam em pessoas com problemas que a sociedade não vê ou finge que não existe. Fora a série - que aborda violência doméstica, deficiência física, Síndrome de Down, Bipolaridade e abuso sexual - os meus dois projetos independentes também terão personagens ou assuntos que precisam ser falados, tudo coberto de romance, afinal sou autora de romances.
Além de eu ter alguém na família com deficiência visual, sou licenciada em Ensino Básico e tive alunos com autismo, Síndrome de Down, paralisia cerebral, surdos,…então é algo que estou familiarizada e que acho que mais pessoas devem estar. Por que não escrever histórias de amor onde essas pessoas são as personagens principais? 

Você se identifica muito com algum de seus personagens? Qual deles e quais seriam essas características em comum?
As minhas leitoras do tempo de Wattpad dizem que a Rafaela (Flor), diretora da Clínica e protagonista do terceiro livro da série, é a mais parecida comigo. Em parte acredito, pois assim como ela eu tento ver o lado bom das pessoas e mesmo quando tudo corre mal eu tento acreditar que um dia vai melhorar.

Tome um de seus livros como referência e tente nos contar como foi o seu processo de escrita.
O processo de todos é diferente. No #projetosemnome, que é uma história que as meninas do grupo sabem que estou escrevendo e que é, talvez, uma das histórias mais importantes que quero contar, eu passei dias em lugares específicos. Entrei em contato com quem pudesse me ajudar. Viajei para encontrar certas pessoas.
O meu processo passou primeiro por muita pesquisa e estudo. Só depois sentei e escrevi, para apagar mil vezes e refazer.
Eu não escrevo por ordem mas por cenas que me surgem e depois vou tecendo o enredo.

Sei que hoje em dia podemos acompanhar muito da vida dos nossos queridos autores principalmente em aplicativos como Insta Stories. Mas adoraríamos saber através das suas palavras, quem é você no dia a dia?
Sou alguém que ninguém trata como autora, isso é certo. Sou bastante simples e aprecio as pequenas coisas. Neste momento o meu cotidiano é trabalhando em frente a um computador. Bem distante do mundo exterior, mas eu amo o que faço.
No dia a dia sou alguém que fala muito. Adoro conversar com as pessoas, estar com a minha sobrinha e prima de seis anos, e que todos os dias levo à escola. Gosto de estar sentada e ficar conversando sobre banalidades ou ficar sozinha no meu canto.

Gostaria de deixar uma mensagem para seus leitores? Fique à vontade.
A mensagem é bem simples: É um obrigada aos leitores brasileiros. Eu já amava o Brasil e os leitores, mas na minha viagem a São Paulo e depois na Bienal eu percebi que os leitores brasileiros são os mais entusiastas e meigos com os autores. Fiquei tão extraordinariamente encantada que espero um dia poder voltar, pois os abraços que recebi foram inesquecíveis. Foi um dos melhores momentos da minha vida.

Somos muito gratos pela oportunidade de recebê-la no Blog PontoComCultural!

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