Entrevista com Vivi Maurey


Viviane Maurey nasceu no Rio de Janeiro. Formada em jornalismo, trabalhou com marketing, mídias sociais e foi editora de livros. Hoje, se dedica integralmente à carreira de escritora. Autora de diversos contos tanto para o público jovem quanto para o adulto, seu “Entre duas gotas de chuva” foi finalista do Concurso Literário Brasil em Prosa em 2015. Também escreve para sites de entretenimento, participa de podcasts, faz resenhas de filmes e livros, mantém uma newsletter e um canal no YouTube sobre escrita e adora contar histórias para seus dois gatos, apesar de eles serem péssimos ouvintes. #Fui é o seu primeiro livro publicado pela Globo Alt.


Você sempre leu bastante antes de se tornar escritora? Quais são suas obras favoritas de outros autores (nacionais e internacionais)? Sempre temos essa curiosidade sobre as pessoas que admiramos.
Muito. Leitura sempre foi um prazer e, assim como a escrita, a melhor forma de buscar respostas. Sinto que a leitura é um combustível para a escrita e sem ela sei que não poderei ir muito longe. Eu amadureci com Tolkien, Bernard Cornwell, Stephen King e J.K.Rowling, mas cresci com Machado de Assis, Pedro Bandeira e Mauricio de Sousa. Eu gosto de muitas obras, mas, se eu tivesse que escolher favoritos em caso de vida ou morte — porque é a única forma que me faria escolher, rs — seria Senhor dos Anéis e Harry Potter.  

Qual foi o primeiro passo que você deu para entrar no mercado literário? Nós, leitores, ficamos felizes por você ter acreditado em seu talento inicialmente, pois se isso não fosse dessa forma, não teríamos sido agraciados com suas obras.
A minha paixão por livros existe muito antes da faculdade e acho que isso, de certa forma, moldou meu comportamento e atitudes. Quando surgiu um convite para estagiar numa editora há alguns anos, eu não pensei duas vezes. Aos poucos, fui construindo o meu espaço dentro de editoras e reconhecendo, cada vez mais, que chegaria o dia em que eu publicaria meu próprio livro, eu só precisava ter paciência e me manter focada. 

Meu cantinho favorito para escrever é…
Eu gosto de escrever na minha cama, mas nem sempre é o lugar que mais me inspira. Às vezes, uma praia, um bloquinho e uma caneta me colocam num estado de transe hipnótico que faz toda a diferença para a escrita, ou num café, e o caos em volta, todas as pessoas conversando e falando alto, ao mesmo tempo, me traz uma tranquilidade. O caos estimula minha imaginação, hehehe. 

Qual livro que você escreveu é o seu preferido e por qual motivo?
É como escolher cor favorita ou sorvete ou namorado. É injusto. Acho que toda obra é um momento especial. A gente vive ele, aprende com ele. Algumas histórias são mais "fáceis" para escrever, outras nem tanto, mas todas significam muito. #Fui é o meu primeiro romance publicado e ele sempre vai ter um lugar especial na gaveta das primeiras experiências.

Se você olhar para toda a sua trajetória como escritora até aqui, você diria que seu maior desafio foi…
Como todo processo, o grande desafio é saber se estamos no caminho que realmente queremos. Eu não acredito em caminho certo nem errado, acho que existe apenas aquele que a gente escolhe. E a gente faz escolhas determinantes o tempo todo. A gente não precisa viver um só caminho. Enquanto a gente vive em busca de um sonho, pode ser bem desafiador separar o que a gente deseja do que a gente quer e acredita de verdade, e entender isso foi difícil, mas crucial para mim.

Quais são os seus conselhos para quem quer seguir a carreira de escritor?
A escrita tem se transformado muito ao longo dos anos, abrindo portas, oferecendo oportunidades para novos autores em diversas áreas. O mercado das editoras está se adaptando e o de autores independentes crescendo com as plataformas gratuitas. O escritor precisa conhecer essas ferramentas e, além de estudar a escrita, agora é necessário conhecer também o negócio do livro e das livrarias. Isso, é claro, partindo do princípio que o escritor gosta de ler e conhece a profissão que buscou. Não existe escrita sem leitura.   

Você pode nos contar um pouquinho dos seus planos para o próximo ano?
Estou na fase de produção de alguns projetos. Ainda não posso comentar muito sobre eles, mas espero que 2018 seja um ano tão corrido quanto 2017, hihihi.  

O que você considera mais gratificante na profissão de escritor?
A escrita é a minha terapia mais potente. Eu aprendo mais comigo mesma e com todo o resto quando escrevo, principalmente porque é a forma que eu encontrei de canalizar e interpretar as minhas emoções e minha paixão pela vida e pelo mundo. E poder mostrar essa minha visão de mundo para as pessoas através das histórias que eu conto é mais que gratificante, é tudo que eu sempre quis.

Frase que me dá forças quando preciso...
As frases do Gandalf, personagem do Senhor dos Anéis: "Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado."; "Muitos que vivem merecem morrer. Alguns que morrem merecem viver. Você pode lhes dar a vida? Então não seja tão ávido para julgar e condenar alguém a morte, pois mesmo os mais sábios não podem ver os dois lados." E a que mais me ajuda, com a qual mais me identifico: "Nem todos os que vagam estão perdidos."

Existe alguma temática que seja recorrente em seus livros? Se sim, isso é casual ou feito por algum motivo específico?
A morte de alguma forma, a transformação, a capacidade de a gente se adaptar, mudar diante da necessidade ou do acaso. Depois de um tempo escrevendo, percebi que, embora eu não saiba qual é o motivo específico na hora de escrever, ele sempre existe. E eu me identifico muito com essa temática, não é à toa que ela fica aparecendo em todas as minhas histórias.   

Você se identifica muito com algum de seus personagens? Qual deles e quais seriam essas características em comum?
Blue, do #Fui. Quem leu diz que eu sou muito parecida com a Lully porque me vê nela, e talvez ela tenha muito da minha espontaneidade e positividade, mas é o Blue que mais reflete quem eu sou. Ele não se abala muito com quase nada, apesar de viver intensamente, e gosta de ouvir todos os lados. Ele pondera, não julga e, às vezes, ainda que se sinta deslocado por causa disso, não se deixa abalar. Meu externo pode ser Lully, embora eu não tenha mechas coloridas no cabelo, hehe, mas meu interno é todo Blue.

Tome um de seus livros como referência e tente nos contar como foi o seu processo de escrita.
#Fui foi escrito em modo soldado. Eu tinha um pouco mais de três meses, um objetivo, uma meta, um prazo. A história começou a ser escrita há quase dez anos e por quase todo esse tempo eu fui amadurecendo os personagens na minha cabeça. Então, quando foi a hora de sentar e escrever 2 mil palavras por dia, não foi impossível. Eu chegava em casa do trabalho todo dia às 20h e começava a escrever umas 21h. Dormi bem menos durante esses meses, mas valeu cada segundo. 

Sei que hoje em dia podemos acompanhar muito da vida dos nossos queridos autores principalmente em aplicativos como Insta Stories. Mas adoraríamos saber através das suas palavras, quem é você no dia a dia?
Depende da época. Eu trabalho desde o 17 e, pela primeira vez, este ano, estou me dedicando à carreira de autora, então tem sido um caminho completamente novo, cheio de experimentos e tentativas. Tento estipular uma meta diária de escrita, mas tenho que me dividir com frilas de revisão para pagar as contas, então acabo fazendo dois turnos de trabalho. No primeiro semestre, eu tinha um terceiro turno de trabalho que era o de pesquisa e preparação para o lançamento do #Fui. Neste segundo semestre, tenho focado mais nos projetos novos em andamento. Além do trabalho, faço Krav Maga, natação e, sempre que possível, saio para caminhar na praia ou na rua, que é quando ideias costumam fluir ou até fixar melhor. Mas nem tudo são flores e organização, porque às vezes minha gata me olha de um jeito muito fofo e irresistível e acabo procrastinando o dia inteiro, atrasando a vida inteira, só para brincar com ela. Quem tem gato (e trabalha de casa) vai me entender.

Gostaria de deixar uma mensagem para seus leitores? Fique à vontade.
Tolkien já dizia através de um dos seus personagens: "O conselho é uma dádiva perigosa, mesmo dos sábios para os sábios, e tudo pode dar errado." Eu acredito em experiências, conhecimento e trajetórias e que cada um traça o seu próprio caminho. Ouvir é essencial, e a gente encontra muitas respostas nos caminhos parecidos com os nossos e que nos guiam, mas não existe fórmula. Obrigada a todos vocês, seus lindos, pela chance de contar minhas histórias. 

Somos muito gratos pela oportunidade de recebê-la no Blog PontoComCultural!

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Confiram abaixo o recadinho que a Vivi Maurey deixou pra vocês:




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