Resenha - Um Mais Um - Editora Intrínseca




Título Original: The one plus one
Autor(a): Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Ano de Lançamento: 2017
Gênero: Romance

Sinopse: O que você faria se fosse uma mãe solteira de dois filhos, que se divide em uma dupla jornada de trabalho, entre camareira durante o dia, e bartender durante a noite, o seu marido tivesse voltado para a casa da mãe com a desculpa de estar deprimido, o filho mais velho do seu marido, um adolescente introvertido que você adotou aos 8 anos, estivesse sofrendo bullying por ser gótico, chegando a ir parar no hospital, e a sua filha, de 10, estivesse prestes a ir pelo mesmo caminho, pois apesar de ser um doce, é um gênio da matemática com dificuldade de socialização?

Jogue nessa mistura um cachorro aparentemente inútil, babão, com problemas de gases. E se o diretor da escola da sua filha oferecesse uma bolsa de 90% para a sua filha, para uma importante escola particular, e os 10% que faltam dependessem de a sua filha competir e vencer uma olimpíada de matemática a uma boa distância da sua casa?

Jesse Thomas está enfrentando esse problema em “Um Mais Um”. Se ela nunca foi rica, depois de se separar de Marty, sua situação financeira fica ainda mais complicada. Apesar de trabalhar muito e economizar cada centavo, ela consegue a duras custas manter a família bem alimentada, e os filhos na escola pública. Jesse usa sandálias de dedo na primavera, mesmo no frio, porque é otimista e acha que o tempo vai melhorar.

Nicky é o filho do primeiro casamento de Marty, ex-marido de Jesse. Adotado aos 8 anos pela Jesse, aos 16 anos, Nicky se tornou um adolescente típico: introspectivo, sarcástico, pessimista, embora inteligente, gentil e educado, além de protetor com a irmã caçula. Apanha na escola por ser gótico, e sofre bullying virtual também.

Constanza Thomas, ou Tanzie, é a filha prodígio de Jesse, de 10 anos. Tanzie é um gênio da matemática, lidando com problemas complexos muito além da sua idade. Adora usar roupas com lantejoulas e não tem malícia nem traquejo social, o que a torna alvo fácil de bullying, o que preocupa a sua mãe. Herdou o otimismo de Jesse, e tem uma ligação muito forte com Norman, o cachorro da família.

Ed Nicholls é um programador bem-sucedido, recém-divorciado, que só faz suas refeições em restaurantes, e é um tanto negligente quanto à sua família. E também bastante egoísta em suas ações. Ele está enfrentando um problema judicial sério o suficiente para arriscar todo o seu patrimônio, na melhor das hipóteses. Na pior, ele pode ir parar na cadeia.

Os caminhos de Ed Nicholls e Jesse Thomas se cruzam três vezes em apenas dois dias. Na terceira vez, em uma estrada à noite, quando o Rolls-Royce estrupiado de Jesse é apreendido pela polícia rodoviária, enquanto ela tentava atravessar o país. Movido em parte por consciência pesada, em parte por gratidão a Jesse por um favor que ela havia feito, ele se vê oferecendo o carro conversível caríssimo e fazendo papel de motorista da família estranha (no melhor estilo eu, você e o cachorro, nessa viagem que acaba sendo longa e saindo bem cara para Ed). 


O livro escrito por Jojo Moyes é simplesmente uma leitura deliciosa. Cada um dos capítulos é narrado do ponto de vista de um dos quatro personagens, que têm vozes bem distintas. Para quem já leu “Como eu era antes de você”, sabe que a escritora inglesa Jojo Moyes tem o dom de fazer o leitor mergulhar na história. Sua narrativa é fluida, gráfica, as descrições são ricas a ponto de você visualizar tudo o que está acontecendo na cena. É o tipo de livro ideal para se ler para cegos, no melhor sentido da expressão.

Todos os personagens têm camadas, são ricos, e fazem com que nos apaixonemos por eles. Adorei a maneira como a Jesse dava umas alfinetadas bem dadas no Ed, que era um rico muitas vezes sem noção do valor e do custo das coisas. Amei a forma como o Ed vai se mostrando um homem sensível, principalmente no trato com Nicky e Tanzie. E como a convivência dos dois vai libertando a ambos de vários preconceitos.

Nesse aspecto, a Jesse é diferente da Lou, outra protagonista de Jojo Moyes. Jess sabia muito bem o que queria. Mas precisava ser prática, e colocar a família em primeiro lugar.

O meu grau de envolvimento com o livro foi o máximo possível. Eu me vi chorando, rindo e fazendo caretas de aflição (é por isso que nunca leio livros em público. Eu sempre faço caras e bocas, que nem uma doida). O enredo tem elementos de empatia, personagens imperfeitos na medida certa (ninguém é sempre certo, nenhum personagem é completamente vilão), conversas entre mulheres que não são sobre homens (passou no teste de Bechdel, êêêê). Impossível apontar um personagem preferido. Chorei muito com o Nicky e com a Tanzie.

No geral, um dos melhores livros que eu já li, nesse gênero. Não consigo achar um ponto sequer que tenha me incomodado. É realista, cria identificação com o leitor, é engraçado e dramático na medida certinha. Em outras palavras: protagonistas envolventes + enredo convincente + momentos engraçados + cachorros babões = Um livro nota mil.

Sugestão para quem fala inglês: Baixe o audiobook e leia junto. As vozes são muito perfeitas.

Onde encontro para comprar?


Resenhista colaboradora Larissa Rumiantzeff

(*) texto anteriormente publicado no blog Gnoma Leitora


Um comentário

  1. Ah, eu amei esse livro! Chorei muito. Jojo Moyes é sensacional!

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