Crítica de cinema - Boneco de Neve (2017)


País: Reino Unido, EUA, Suécia
Título original: The Snowman
Data de lançamento: 23 de novembro de 2017
Duração: 1h59min.
Classificação: 16 anos
Direção: Tomas Alfredson
Elenco: Michael Fassbender, Rebecca Ferguson, Charlotte Gainsbourg, Chloë Sevigny, Val Kilmer, J. K. Simmons, David Dencik, James d'Arcy, Peter Dalle 
Roterista: Hossein Amini, Matthew Michael Carnahan, Soren Sveistrup, Peter Straughan
Gênero: Policial, Suspense, Mistério
Distribuidora: Universal Pictures

Sinopse: Oslo, Noruega. Harry Hole (Michael Fassbender) é um policial reconhecido pelos casos resolvidos no passado, mas que sofre com problemas de alcoolismo. Após encontrar por acaso com a agente novata Katrine Bratt (Rebecca Ferguson), ele passa a investigar o desaparecimento de uma série de mulheres. A peculiaridade é que o responsável enviou ao próprio Harry um cartão enigmático, com a imagem de um boneco de neve, que está sempre presente nos locais onde as vítimas são atacadas.

O filme é inspirado na obra homônima de Jo Nesbø. O autor norueguês já tem mais de dez livros publicados, porém Boneco de Neve é mundialmente reconhecido como seu melhor trabalho. Talvez por isso tenha sido escolhido pelos estúdios de cinema para uma adaptação.

O marketing em torno do filme foi muito grande e isso gerou altas expectativas para o público, principalmente porque sempre ocorre uma comparação entre o conteúdo da adaptação e o publicado no livro.

Mesmo sem ter conseguido ler o livro antes do lançamento do filme nos cinemas, achei o conteúdo transmitido de fácil compreensão para qualquer telespectador. É necessário estar atento ao detalhes e buscar assistir como se estivesse dentro da investigação.

Umas meninas que estavam sentadas ao meu lado, e conversavam em diversos momentos, comentaram no final do filme que não tinham entendido por que isso ou aquilo aconteceu. Um livro adaptado para as telas de cinema normalmente precisa sofrer uns recortes, mas o importante é que isso não impeça o público de compreender a essência da história. E não acho que isso tenha acontecido.

O filme começa mostrando uma família nada tradicional. Moravam na casa um jovem e sua mãe, e eles recebiam a visita de um homem (Jonas) que supostamente era o pai do menino. Este homem roubou a dignidade da família, pois abusava psicologicamente de seu filho, e a mãe do jovem apanhava e também sofria abusos sexuais e psicológicos. E no momento em que a mulher decide confrontá-lo, Jonas vai embora deixando seu filho para trás.

Esse momento da história fica solto por quase todo o filme até que finalmente fazem uma associação, nos mostrando que foi essencial ter captado esses fatos.

Em Oslo, é possível acompanhar a trajetória do detetive Harry Hole, um homem complexo, que vive às sombras do alcoolismo para tornar seu passado e presente menos dolorosos. Tudo começa quando ele recebe um bilhete misterioso com um boneco de neve desenhado e, a partir daí, precisa investigar quem mandou o recado e qual a razão de tudo isso.

E então passamos a visualizar as histórias das vítimas. Nenhum ataque é feito do nada. Antes temos a oportunidade de saber quem são e somente no final conhecemos o porquê de cada morte.

O assassino observa as suas vítimas antes de matá-las, e em todo lugar onde há mortes, podemos encontrar um boneco de neve macabro.

Entra em cena Katrine Bratt, que se une ao detetive Harry para investigar as mortes. No início ele fica bastante relutante com a participação da jovem mulher nos casos, mas aos poucos vão ganhando confiança no trabalho um do outro e acabam se aproximando.

O interessante é que Katrine esconde muitos segredos, assim como Harry. E é incrível poder desvendá-los ao longo do filme. Isso vai nos deixando cada vez mais próximos dos personagens.

As mortes recentes estão relacionadas a crimes que aconteceram nove anos antes, e assim é possível observar o modus operandi do assassino. Ele segue um padrão: normalmente são mulheres, casadas, com filhos pequenos e vivendo um casamento infeliz. E o gatilho para os assassinatos é a primeira neve que cai. E então vem a pergunta: como ele escolhe suas vítimas? Ele assassina somente mulheres que despreza?

Eu gostei muito do clima de suspense criado em torno de todo o filme. Como se trata de Oslo, na Noruega, temos o prazer de conhecer um pouco de culturas e lugares diferentes. Não estamos passando pelo lugar-comum de filmes situados somente em locais norte-americanos.

O suspense vai girar bastante em torno de personagens que não apresentei aqui, pois penso que revelam muito sobre a trama: você ainda vai ouvir falar de Gert Rafto, Vetlesen, Arve Støp, Mathias.

Um verdadeiro jogo entre o assassino misógino e a polícia, que faz nossos pensamentos e conclusões sofrerem reviravoltas incansáveis.

Assista ao trailer oficial: https://goo.gl/KZxFKN

Crítica por Bruna Brezolini

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