Entrevista com Giulia Paim


Giulia Paim é carioca, publicitária e estudante de Hogwarts ao mesmo tempo, da casa Corvinal. É sagitariana, e, por mais que tenha nascido em pleno verão, ama tanto o frio que desconfia ser metade pinguim, metade gente. Em 2014, realizou o sonho da sua vida de trabalhar na Disney, e desde então aguarda ansiosamente que abra um processo seletivo para se tornar Princesa. É apaixonada por muitas coisas, como bandas de pop coreano, maratonas na madrugada de séries de TV e hambúrgueres que desafiam o tamanho de seu estômago, mas nada disso se compara a sua paixão por criar histórias. Boston Boys é a série que inaugura sua trajetória no mercado literário.


Você sempre leu bastante antes de se tornar escritora? Quais são suas obras favoritas de outros autores (nacionais e internacionais)? Sempre temos essa curiosidade sobre as pessoas que admiramos.
Sim, sempre gostei de ler! Desde criança tive uma influência muito grande da leitura na minha vida. Minha mãe sempre lia para mim quando eu era pequena, desde Sítio do Picapau Amarelo até Harry Potter. Meus livros preferidos são “Anjos e Demônios”, do Dan Brown, “Moça com brinco de pérola”, da Tracy Chevalier e “O Corcunda de Notre Dame”, do Victor Hugo. Dos nacionais, a série dos Karas do Pedro Bandeira e de Fala Sério, da Thalita Rebouças, marcaram minha infância e têm um lugar especial no meu coração!

Qual foi o primeiro passo que você deu para entrar no mercado literário? Nós, leitores, ficamos felizes por você ter acreditado em seu talento inicialmente, pois se isso não fosse dessa forma, não teríamos sido agraciados com suas obras. 
Meu primeiro passo não foi com “Boston Boys”, apesar de ser a série que inaugurou minha trajetória no mercado literário sozinha. A primeira experiência que tive com a publicação de um livro foi de uma antologia de contos chamada “Amores Impossíveis”, em que participei em 2013 com um conto intitulado “Coração Prematuro”. O tema da antologia era criar uma história que girasse em torno de um amor impossível, então quis sair um pouco do quadrado e fiz a história do amor entre um feto na barriga da mãe e a própria mãe. Participei da antologia junto com outros 20 autores, e ela foi organizada por uma escritora que fez um curso que participei. O conto está disponível no meu site: https://www.giuliapaim.com.br/coracao-prematuro

Meu cantinho favorito para escrever é…
Minha cama. Tenho uma mesa e cadeira, mas mesmo assim sinto que as ideias fluem bem mais na cama, mesmo. Minha avó vive dizendo que vou ficar com a coluna toda torta antes de fazer 40 anos, rs.

Qual livro que você escreveu é o seu preferido e por qual motivo?
Os dois livros que escrevi são da mesma série, “Boston Boys”. Mesmo amando meu primeiro livro – afinal, tem todo aquele amor especial de primeiro livro e tudo o mais – meu preferido é o segundo volume: “Boston Boys 2: Descendo do palco”. Acho que ele acabou sendo melhor executado e eu consegui explorar mais situações e personagens que no primeiro livro ficaram mais superficiais. Ah, e porque o segundo livro tem o Daniel também, um personagem que não existe no primeiro e que eu amo demais!

Se você olhar para toda a sua trajetória como escritora até aqui, você diria que seu maior desafio foi…
Meu maior desafio foi conseguir chegar até uma editora. É bem difícil, de verdade. Eu, na época em que estava procurando, tinha 17, 18 anos. Além de ser nova de idade, nunca havia publicado nada sozinha e não tinha quase nenhuma experiência no mercado. Não fui levada muito a sério. Mas sempre que levava um “não” ou ficava sem resposta de alguma editora, eu lembrava que a própria J.K. Rowling também levou vários “nãos” e hoje em dia é quem ela é. Por isso não desisti e continuei procurando. No final das contas, eu consegui!

Quais são os seus conselhos para quem quer seguir a carreira de escritor?
Primeiro de tudo, quem ama escrever tem que ler bastante. Ler de tudo. Quanto mais a gente lê, mais referências, inspiração e vocabulário a gente adquire para colocar no nosso próprio texto. Também é preciso ter paciência. Tanto para revisar até ter certeza de que a história está realmente boa, para encontrar uma editora que aceite publicar seu livro e para saber o que fazer depois. A gente não pode lançar o livro em um dia e no dia seguinte achar que vai se tornar o escritor mais famoso do Brasil. O trabalho com a editora precisa ser conjunto. E precisa correr atrás, bastante. Para tudo. Também é essencial estar preparado para receber muitos “nãos”, e apesar disso, focar no seu objetivo e não deixar isso te abater.

Você pode nos contar um pouquinho dos seus planos para o próximo ano?
Em 2018 vou lançar o terceiro e último livro de “Boston Boys” e estou super ansiosa para que os leitores vejam o final da história! Também comecei a escrever um livro novo e vai ser bem legal desenvolver uma história diferente das três que já fiz.

O que você considera mais gratificante na profissão de escritor?
O feedback dos leitores é o mais importante e o melhor de tudo. Sempre que recebo uma mensagem carinhosa de alguém que diz que os meus livros marcaram sua vida de algum jeito, eu ganho meu dia. No final das contas, é para eles que eu faço os livros! Então a opinião deles é o que mais importa. Me sinto muito sortuda também por ter tantos leitores que me apoiam e me estimulam tanto. É o que me faz seguir em frente.

Frase que me dá forças quando preciso...
“Tudo acontece por um motivo” é uma frase que sempre levei para a vida. Às vezes a gente se decepciona se algo que a gente se esforça tanto não acontece do jeito que queremos, mas eu gosto de acreditar que tudo tem seu tempo, e o que é para acontecer, alguma hora vai acontecer. Mesmo que não seja exatamente como foi planejado no início.

Existe alguma temática que seja recorrente em seus livros? Se sim, isso é casual ou feito por algum motivo específico?
A série “Boston Boys” é uma comédia adolescente. Ela envolve as dúvidas e inseguranças de jovens, mas de um jeito descontraído e cômico. Esse tema é algo que sempre gostei de escrever. Até na minha época de fanfics, era esse tipo de história que eu me sentia mais â vontade para fazer. Me sinto muito próxima dos adolescentes, porque vivi tudo o que eles viveram há pouco tempo. E adoro escrever situações engraçadas. A leitura precisa ser algo prazeroso, e sinto muito prazer em rir quando leio um livro. Isso é algo que sempre vou colocar nas minhas histórias.

Você se identifica muito com algum de seus personagens? Qual deles e quais seriam essas características em comum?
Me identifico tanto com a Ronnie – a protagonista - quanto com a Jenny – sua melhor amiga -, o que é meio engraçado, porque elas são bem diferentes. A Ronnie é uma menina tímida, que adora ler e muitas vezes prefere ficar na dela. A Jenny tem um instinto protetor com quem ela gosta, é apaixonada por boy bands e vê a vida de um jeito bem positivo. Eu sinto que tenho tudo isso dentro de mim, então me considero uma mistura das duas.

Tome um de seus livros como referência e tente nos contar como foi o seu processo de escrita.
Vou falar sobre o processo de escrita do primeiro livro de “Boston Boys”. Comecei a escrever com 14 anos, em 2010. Eu escrevia no papel, literalmente. Escrevia na escola e dava para minhas amigas lerem. Elas puxavam setas e faziam comentários, e isso me estimulava muito a continuar. Não tinha pretensão de publicar, fazia por hobby. Escrevia sempre um pouco todos os dias. A história ficou com 400 páginas depois de dois anos sendo escrita, foi quando percebi que ela tinha potencial para ser tornar um livro e resolvi transformá-la em um. Passei tudo para o computador, mudei bastante coisa, e em 2013 estava pronto. Demorou, mas ficou do jeitinho que eu queria.

Sei que hoje em dia podemos acompanhar muito da vida dos nossos queridos autores principalmente em aplicativos como Insta Stories. Mas adoraríamos saber através das suas palavras, quem é você no dia a dia?
No dia a dia sou a Giulia que é formada em publicidade, que come besteiras compulsivamente, que diz que vai assistir só um ou dois episódios de uma série e acaba vendo ela inteira duas vezes. Eu sou completamente apaixonada pela Disney, pelos filmes, parques, tudo que a empresa representa. Até trabalhei lá duas vezes, uma em 2014 e outra em 2017. Eu vivo sonhando acordada e às vezes preciso me puxar de volta para a realidade e lembrar que preciso trabalhar bastante para alcançar o que eu quero. 

Qual você diria que é a sua maior fonte de inspiração?
Acontecimentos cotidianos e música são minhas maiores inspirações. Às vezes eu ouço uma história engraçada que pode parecer que não é nada demais, mas uma frase basta para eu inventar mil coisas na minha cabeça que podem se desenvolver e se transformar em uma história. E música me inspira demais. Elas contam histórias e criam seus próprios personagens, e às vezes me ajudam a criar os meus próprios. 

Como foi a experiência de escrever Boston Boys? Desde o começo você já pensou que haveria uma continuação?
O primeiro livro foi escrito sem a pretensão de ser publicado, então foi bem mais demorado. Foram três anos até a versão final. Passei por altos e baixos e por muita experimentação, mas acho que todo mundo passa por isso quando publica o primeiro livro. O segundo eu escrevi em um ano, a cabeça já era outra e eu já tinha muito mais noção de como executar de maneira melhor, então fluiu mais. Também tinha mais ou menos um prazo estipulado pela editora, então tive que focar. Lá no início, quando escrevia na escola e resolvi transformar Boston Boys em um livro, dividi as 400 páginas na metade. A primeira virou o rascunho primeiro livro e a outra, o segundo. Então sempre quis fazer no mínimo dois livros, mas a história acabou tomando um rumo que levou a um terceiro livro para ser concluída.

Gostaria de deixar uma mensagem para seus leitores? Fique à vontade.
Vocês são o meu maior incentivo para escrever. O que me motiva é ver que vocês gostam da história, se identificam com os meus personagens ou até dão uns surtos com os finais com gancho que eu adoro fazer! Agradeço do fundo do coração todo o apoio que vocês me dão todos os dias e sempre penso, nos momentos em que bate aquela insegurança e vontade de desistir, que são vocês que acreditam no meu potencial. Eu amo vocês!

Somos muito gratos pela oportunidade de recebê-la no Blog PontoComCultural!



Confiram abaixo o recadinho que a Giulia Paim deixou pra vocês:



Nenhum comentário