Entrevista com Leila Rego


Leila Rego nasceu em junho de 1974, em Cafelândia, Paraná. Aos quatro anos mudou-se com a família para Alta Floresta, Mato Grosso, onde não havia sequer energia elétrica. Sem televisão, “no meio do nada”, sua infância foi regada de histórias, livros e brincadeiras com os dois irmãos mais velhos. O desejo de viajar e conhecer outras culturas foi determinante para que, anos mais tarde, optasse pela faculdade de Turismo – cursada em Foz do Iguaçu (PR). Logo no início dos anos 2000, mudou-se para São Paulo e trabalhou por diversos anos na área de recursos humanos. Seu incontestável talento para a escrita reencontrou as inúmeras histórias que povoavam desde sempre sua imaginação, e, em 2009, iniciou sua carreira de escritora com um livro independente. Em 2012, publicou Amigas Imperfeitas, em 2013, publicou A Segunda Vez Que Te Amei, em 2015, #Partiu Vida Nova e, em 2016, As Fases da Lua, todos pela Editora Gutenberg. Também participou da antologia O Livro Delas, publicada pela editora Rocco, em 2016. Atualmente, mora em Vinhedo (SP), com o marido e dois filhos, onde segue escrevendo as deliciosas histórias que adoramos ler.

Você sempre leu bastante antes de se tornar escritora? Quais são suas obras favoritas de outros autores (nacionais e internacionais)? Sempre temos essa curiosidade sobre as pessoas que admiramos.
Desde pequena, quando morava no Mato Grosso, eu lia muito. À medida que fui crescendo, os interesses foram mudando, mas o hábito de ler permaneceu. Se fico alguns dias sem ler, sinto falta. Eu admiro tantos autores que fica difícil falar. E quando falo em admirar, não é apenas admiração pelas obras, é pelo comportamento, perseverança, pela batalha… Dos nacionais, gosto muito da nova geração, da qual faço parte: Paula Pimenta, Carina Rissi, Tammy Luciano, Graciela Mayrink, Fernanda França, Chris Melo, Maurício Gomyde, entre outros. Dos internacionais, gosto de Marian Keyes, Sophie Kinsella, Nicholas Sparks, etc.

Qual foi o primeiro passo que você deu para entrar no mercado literário? Nós, leitores, ficamos felizes por você ter acreditado em seu talento inicialmente, pois se isso não fosse dessa forma, não teríamos sido agraciados com suas obras.
Nunca imaginei que um dia seria escritora. Não era sonho de criança, nem nada disso. Sou formada em Turismo, trabalhei muito tempo como Analista de Recursos Humanos, mas não era feliz com o que fazia. Buscando meios de extravasar o estresse que eu sofria no meu trabalho, eu comecei a escrever. Deixava minha mente vagar e ia escrevendo em um caderno. Escrevia contos, crônicas, historinhas infantis... Dessas histórias, nasceu Mariana, protagonista da série PNTS – que mais tarde virou o #Partiu Vida Nova.. Gostei tanto da personagem que fui criando um ambiente para ela, depois um enredo, outras personagens... Sentia tanto prazer ao escrever a história da Mariana que eu me via em sua história, querendo criar mais coisas, mais cenários e outras histórias... E foi assim, dessa forma natural e despretensiosa que me tornei escritora.

Meu cantinho favorito para escrever é…
Gosto de escrever olhando para o verde, para o horizonte. De frente para a janela do escritório aqui de casa tem uma árvore linda e eu gosto de escrever olhando pra ela.

Qual livro que você escreveu é o seu preferido e por qual motivo?
É como pedir para uma mãe escolher entre seus filhos o seu preferido (risos). Quando escrevo eu pesquiso muito, aprendo coisas novas. Então, cada livro me trouxe um ensinamento diferente, me transformou de alguma forma. Gosto de todos por isso.

Se você olhar para toda a sua trajetória como escritora até aqui, você diria que seu maior desafio foi…
Infelizmente, o brasileiro não tem o hábito de ler. 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro, apontam os dados da última pesquisa Retratos da Leitura. Então, o maior desafio pra mim, como escritora, continua sendo o de ser lida. E o que eu tenho feito? Incentivado a leitura nos meus filhos, sobrinhos e amigos. Tenho uma palestra chamada Ler é uma Viagem, que faço junto com a escritora Fernanda França, onde falamos da nossa paixão pelos livros e como eles transformaram nossas vidas. É um trabalho de formiguinha, eu sei. Mas a esperança de fazer deste país, um país de leitores, nunca morre.

Quais são os seus conselhos para quem quer seguir a carreira de escritor?
Tudo que fazemos tem que ser feito com amor. E também tem que te dar alegria e prazer. Caso contrário, pode apostar de que estará no caminho errado. Para ser escritor é preciso criatividade, gostar de ler, de ficar sozinho, de pesquisar... Se você se encaixa nessas características é só seguir em frente.

Você pode nos contar um pouquinho dos seus planos para o próximo ano?
Tenho um livro pronto, que torço muito para que seja publicado em 2018. É uma história incrível sobre amizade e empoderamento feminino, bem no meu estilo. Tem também o projeto Jane Austen por Elas, da editora Gutenberg, que fui convidada para fazer a releitura do A Abadia de Northanger. Este livro está quase finalizado e deve ser lançado em breve.

O que você considera mais gratificante na profissão de escritor?
A autonomia, a liberdade de expressão e o fato de ajudar pessoas através das minhas histórias me trazem uma felicidade imensa.

Frase que me dá forças quando preciso...
“Isso também passa” – Chico Xavier.

Existe alguma temática que seja recorrente em seus livros? Se sim, isso é casual ou feito por algum motivo específico?
Gosto de escrever sobre problemas reais, falar do cotidiano, das dúvidas e dos dramas femininos. Essa característica veio do meu gosto pelo meu gênero preferido de leitura. Gosto de ler sobre essa temática, logo, passei a escrever sobre isso também.

Você se identifica muito com algum de seus personagens? Qual deles e quais seriam essas características em comum?
Cada personagem tem um pouquinho de mim. Como a Nina do Amigas Imperfeitas, eu também já me apaixonei por caras errados; como a Mariana, do #Partiu Vida Nova, também tive meus ataques de consumismo; como a Raquel, do A Segunda Vez que Te Amei, eu também sou ponderada e penso mais nos outros que em mim. A Tainá, do conto Dez Anos, que está no O Livro Delas, tem uma história que se passa em Foz do Iguaçu, onde eu fiz faculdade e boas amizades. Não consigo escolher uma apenas, todas levam algo que vivi, senti ou presenciei.

Tome um de seus livros como referência e tente nos contar como foi o seu processo de escrita.
O processo criativo para cada livro foi bem diferente um do outro. O conto Não é mais Verão, que está na Amazon, por exemplo, escrevi em uma semana. A história simplesmente apareceu e eu a escrevi. Mas livros como o Amigas Imperfeitas, levo bem mais tempo. Um ano, aproximadamente, entre escrita e revisões.

Sei que hoje em dia podemos acompanhar muito da vida dos nossos queridos autores principalmente em aplicativos como Insta Stories. Mas adoraríamos saber através das suas palavras, quem é você no dia a dia?
Cara, sou muito simples. Tenho um estilo de vida mais voltado para a simplicidade, para espiritualidade e acho que não tenho muito o que mostrar nos “stories”. Sei que as pessoas gostam de ver o que é bonito, glamouroso, descolado… E minha vida não é assim. Sou caseira, família, na minha. Adoro cozinhar, cuidar dos meus filhos, gatos. Detesto lugares cheios, barulhentos. Adoro me reunir com os amigos para bater papo e curtir um vinho. Coisas assim.

Qual você diria que é a sua maior fonte de inspiração?
As histórias reais que ouço em todos os lugares. Me inspiro em pessoas reais mesmo.

Como foi a experiência de escrever As Fases da Lua? Foi uma novidade para você dividir um livro com outros autores (neste caso, Bianca Briones, Liliane Prata, Clarissa Corrêa e Jennifer Brown)?
Foi incrível! São escritoras que admiro muito. Clarissa com uma pegada mais profunda, reflexiva. A Lili com bom humor e sacadas geniais. A Briones com um drama que nos leva às lágrimas. A Jennifer eu não conhecia como escritora e depois do As Fases da Lua, fui ler seus livros e me apaixonei pela escrita dela.

Gostaria de deixar uma mensagem para seus leitores? Fique à vontade.
Obrigada sempre por lerem meus livros. Escrever e perceber o bem que trago aos outros é uma realização maravilhosa. Continuem apoiando os autores nacionais e me enviando notícias ao acabar de ler minhas obras. Gosto muito de “escutar” o que vocês dizem. Um beijo no coração!

Somos muito gratos pela oportunidade de recebê-la no Blog PontoComCultural!

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Confiram abaixo o recadinho que a Leila Rego deixou pra vocês:


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