Resenha - Os meninos que enganavam nazistas - Editora Vestígio


Título Original: Un sac de billes
Autor(a): Joseph Joffo
Editora: Vestígio (Selo do Grupo Autêntica)
Páginas: 320
Ano de Lançamento: 2017
Gênero: Drama

Sinopse: Paris, 1941. O país é ocupado pelo exército nazista e o medo invade as casas e as ruas francesas. O poder de Hitler se mostra absoluto e brutal na França… É durante um dos períodos mais turbulentos da História que a emocionante narrativa de Joseph e Maurice se desenrola. Irmãos judeus de 10 e 12 anos de idade, eles perambulam sozinhos pelas estradas, vivendo experiências surpreendentes, tentando escapar da morte e em busca da zona livre para ganhar a liberdade. Essa é uma história real, autobiográfica, cuja espontaneidade, ternura e humor comprovam o triunfo da humanidade e da empatia nos momentos mais sombrios, quando o perigo está sempre à espreita… "Os meninos que enganavam nazistas" conta a fantástica e emocionante epopeia de duas crianças judias durante a ocupação, narrada por Joseph, o mais jovem.  

Desde que “Os meninos que enganavam nazistas” foi lançado, virou praticamente uma febre. Todos leem, querem ler ou já leram. E haja resenhas sobre ele, todas positivas.

Não é para menos.

Joseph e Maurice Joffo são irmãos judeus que vivem na Paris de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial.

O pai é barbeiro, a mãe, dona de casa, e os meninos vivem os dias entre a escola e as brincadeiras de rua. 

Até que em uma noite o pai os avisa que é a vez deles ganharem o mundo, porque o cerco aos judeus em Paris está se fechando cada vez mais. 

Então começa a saga dos meninos pela França. Eles passam apuros, fome, momentos de tensão e medo, Mas sempre olham para tudo com um viés bem-humorado, que vem da narrativa em primeira pessoa do protagonista, Joseph, o irmão caçula.

Joseph é um típico menino de 10 anos: não gosta de escola e adora brincar ao ar livre. Poderia ter uma infância linda, se não tivesse nascido judeu enquanto Hitler queria dominar o mundo. Assim, precisa aprender a “se virar”, e o desenrolar da trama mostra como as peripécias fazem com que ele, de algo que no início parecia uma aventura, passe à perda da inocência.

Em alguns momentos do livro as situações pelas quais os irmãos passam (e não só eles) são angustiantes, mas a escrita é leve, fluida e deixa com gostinho de quero mais. Não só isso: os meninos andam por tantos lugares da França, que até aprendemos um pouco de geografia, enquanto eles aprendem a viver.

É um livro para ler com o coração, especialmente porque, no meio de tanta tragédia, há espaço para a compaixão e a empatia, sentimentos indispensáveis à humanidade, mas que, às vezes, são tão maltratados. 

Só tenho duas críticas: os capítulos são muito extensos e não há quebra dentro deles e, em determinados momentos, as menções a períodos de tempo e locais são estranhas.

Deixe-me explicar melhor.

Como os capítulos são longos, quando não se consegue ler até o final, às vezes é necessário parar a leitura no meio de uma cena. Ou então o leitor fica desesperado para terminar e perde a noção do tempo… E esquece que precisa trabalhar, estudar, lavar a louça…

Quanto aos lapsos temporais, em algumas partes do livro descreve-se um tempo ou um lugar em determinado parágrafo e, no seguinte, já nos encontramos em momentos completamente diferentes. 

Nada que tire a beleza da obra, que é enternecedora, embora o pano de fundo seja assustador.

Um dos meus livros favoritos de 2017.

Onde encontro para comprar?


Resenhista colaboradora Rita de Cássia

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