Entrevista com Karin Slaughter

Crédito da imagem: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/e-muito-perigoso-ser-mulher-diz-best-seller-karin-slaughter-21804117

Karin Slaughter é uma das escritoras mais populares e bem-sucedidas do mundo, considerada "uma das melhores romancistas de histórias policiais na América" ​​(The Washington Post), tendo alcançado o primeiro lugar em listas de mais vendidos em diversos países. Seus dezesseis livros foram lançados em mais de trinta e seis idiomas, com mais de trinta e cinco milhões de exemplares vendidos. Além de Flores Partidas, a editora HarperCollins lança a série de sucesso Will Trent. A série Will Trent, a série Grant County e o livro único Cop Town estão todos em desenvolvimento para cinema e televisão. Nascida na Geórgia, a autora atualmente mora em Atlanta, nos Estados Unidos. 

Pretty Girls is your first psychological suspense stand-alone. How was your writing process different for this novel?
Flores Partidas é o seu primeiro terror psicológico isolado, isto é, que não tem nenhuma relação com outros seus. O seu processo de escrita para este romance foi diferente? Como? 
I had to look at the story in a different way, because I was writing from the point of view of characters who are not cops.  With my other novels, I didn’t really grasp how much easier it is to write police officers, because they have a reason to be at crime scenes and interrogate suspects and follow clues.  So, writing from Claire and Lydia’s perspective, I had to find believable ways for them to be caught up in the central crime story, and for them to take reasonable steps toward figuring out what was really going on.  I didn’t want it to be “two feisty gals solvin’ a mystery!”  I wanted it to feel realistic, and for the reader to understand why they were making the choices they make.
Eu tive que olhar para o enredo de uma forma diferente, porque eu estava escrevendo do ponto de vista de personagens que não eram policiais. Com os meus outros livros, eu não tinha ideia de como é mais fácil escrever personagens que são policiais, porque eles têm um motivo para estar em cenas de crime, interrogar suspeitos e seguir pistas.  Sendo assim, ao escrever do ponto de vista da Claire e da Lydia, eu precisava encontrar formas verossímeis para que elas se vissem na história central do crime, e para que os passos que elas tomassem, no sentido de descobrir o que estava acontecendo, fossem razoáveis. Eu não queria que fosse algo do tipo “duas garotas espevitadas resolvendo crimes!”. Eu queria que fosse realista, e que o leitor compreendesse o porquê de elas estarem fazendo as escolhas que fizeram.

What gave you the idea for “Pretty Girls”?
O que te inspirou a escrever Flores Partidas?
I was working on an entirely different book when I got the idea for Pretty Girls.  I hate to admit that it was because I was under the influence of narcotics.  I’m a real lightweight—I’ve never smoked a cigarette or done any illegal drugs—but I slipped a disc in my back and was on heavy meds for the pain.  I woke up from a fever dream and had this idea for a book.  I wrote it down and went back to sleep, then when I got up in the morning and saw my notes, I thought, “Wow, that’s pretty damn good.” I was actually in the middle of writing a completely different book and I scrapped that story (for the time being) and started Pretty Girls the next day.
Eu estava trabalhando em um livro completamente diferente, quando tive a ideia para Flores Partidas.  Eu detesto ter que admitir que foi sob a influência de narcóticos. Não que eu me drogue —eu nunca fumei um cigarro nem usei drogas ilícitas — mas tive uma hérnia de disco nas costas e estava tomando medicamentos pesados para a dor. Eu acordei de um sonho, enquanto estava com febre, e tive essa ideia para o livro. Coloquei tudo no papel e voltei a dormir. Então, quando acordei de manhã e olhei para as minhas anotações, eu pensei, “Caramba, isso é realmente bom”. Eu estava escrevendo um livro completamente diferente, mas coloquei aquela história na gaveta (por enquanto) e comecei a escrever Flores Partidas no dia seguinte.

What are the most important things about you that you would want prospective readers to know?
Quais são as coisas mais importantes que você gostaria que os seus futuros leitores soubessem?
While I talk about social issues, I always make sure that you can just read the book for fun.  It’s not my job to educate anybody.  There’s a lot of tension in the book, a lot of humor, some dark parts and an ending that I think will surprise a lot of people.  I love twists and turns in a story, and this might be my twistiest, turniest book yet.
Quando eu falo sobre problemas sociais, eu sempre tento fazer com que dê para ler o livro de forma leve, para entretenimento. Meu trabalho aqui não é dar aula. Tem muita tensão no livro, muito humor, algumas partes mais pesadas e um final que eu acho que vai surpreender muita gente. Eu adoro reviravoltas em uma história, e talvez este seja o meu livro com mais reviravoltas.

Are there other things you'd like readers to know about you or “Pretty Girls?” (Personal challenges you've faced that influenced you while writing this book, funny stories about the writing or research, etc.)
Existe mais alguma coisa que você gostaria que os seus leitores soubessem sobre você ou sobre Flores Partidas? (Desafios pessoais que te influenciaram ao escrever o livro, alguma história engraçada sobre o processo de escrita ou de pesquisa, etc.)
There are two sisters in the story, Claire and Lydia.  I identify most with Claire because I’m the youngest in my family, too (so of course I made her the smarter and prettier one).  I remember when my older sister came over to my house a while back and I said that I was hungry, so she went into the kitchen and started to make me a sandwich.  I just sat down and let her bang through my cabinets looking for things, and when I thought about it later, I realized that no matter what you do in your adult life, if you are a little sister, you let your big sister make you a sandwich.  And if you are a big sister, you are always going to be bossy and pushy and get to drive the car if you go anywhere.
A minha história tem duas irmãs, Claire e Lydia.  Eu me identifico mais com a Claire porque também sou a caçula da família (então é claro que eu fiz com que ela fosse a mais inteligente e mais bonita). Eu me lembro de quando a minha irmã mais velha veio me visitar em casa há um tempo, e eu disse que estava com fome, aí ela foi pra cozinha e começou a fazer um sanduíche para eu comer. Eu fiquei sentada, e a deixei procurar pelos ingredientes nos armários, eu percebi que, independentemente do que você fizer na sua vida adulta, se você for a irmã ou irmão caçula, você deixa o seu irmão mais velho fazer o sanduíche pra você. E se você for a irmã ou irmão mais velho, você sempre vai ser meio mandão e insistente, e sempre vai dirigir quando vocês forem de carro para algum lugar.

What scares Karin Slaughter?
O que deixa Karin Slaughter com medo?
Mo Hayder scares the bejeezus out of me.  She’s the only author who’s ever been able to do that.  Not even Stephen King can scare me like Mo. I’m also scared during slasher movies—the stupid ones like Scream or Friday the 13th. I won’t watch them because they give me nightmares.
Mo Hayder me apavora.  Ela é a única escritora que já conseguiu fazer isso comigo. Nem mesmo Stephen King me dá medo como a Mo.  Eu também tenho medo de filmes de terror muito sangrentos — aqueles idiotas como Pânico ou Sexta-Feira 13. Eu nem assisto, porque depois tenho pesadelos.

An actor easily knows when his workday is over – after the word “CUT” he knows that the scene/movie has ended and so has his role. He can get back to his real life and be himself again. But what is life of an author like? Is it hard to find your way back in your “real life” while being in the middle of a book? Can you casually drink a glass of wine or eat some pasta after describing a horrible murder five minutes ago?
Um ator costuma saber com facilidade quando um dia de trabalho acaba – depois do “CORTA”, ele sabe que a cena/filme chegou ao fim, bem como o seu papel. Ele pode voltar para a vida de sempre e ser ele mesmo de novo. Mas como é a vida de um autor? É difícil voltar para a sua “vida normal” no meio de um livro? Você consegue saborear casualmente um vinho ou um prato de massa depois de descrever uma cena horrível de crime cinco minutos atrás?
I think of myself as three different people—the person who writes books, the person who promotes them, and then just my regular every day person who sits around in her pajamas and eats too many cupcakes.  This isn’t to say that I don’t always have stories floating around in my head, but sometimes the stories are more serious than other times.
Of course, my favorite person is the writer who gets to slink off to the mountains for a few weeks at a time and immerse herself completely in storytelling.  That is my passion, my raison d’etre, as it were.  In this day and age (and actually, if you really know your author history, in every day and age) authors who want to have a chance of being authors for a living have to go out and promote themselves.  I feel like it’s an honor to be asked by my publishers to go meet my readers in person, so I always try to tour whenever I can. (Facebook is also a good way to talk to readers, and actually, I love talking to my readers because they tend to be just like me: introverts who love to talk about books).  That leaves the third person, my every day person, who basically just goes on with life—shopping at the grocery store, playing with my cats, reading.  Once I have finished a writing session, it’s not particularly hard for me to find my way back to my regular self.  I mean, yes, of course, I always have a story in my mind, but I liken it to a surgeon, who one minute is rooting around in a patient’s innards, then goes home and sits around with his wife talking about what flowers they are going to plant in the spring.  Writing is my job.  It is a job I love and I want to keep doing it forever, but it is still a job.
Eu penso em mim mesma como três pessoas diferentes — aquela que escreve os livros, aquela que os promove, e o meu eu de sempre, que anda de pijama e come cupcakes demais.  Eu não diria que não tenho histórias flutuando pela minha mente o tempo todo, mas às vezes, umas histórias são mais sérias do que outras.
É claro que o meu eu favorito é a escritora que consegue fugir para as montanhas por umas semanas e ficar completamente imersa na história que eu estiver escrevendo. Essa é a minha paixão, minha razão de existir. Hoje em dia (na verdade, se você realmente conhecer a história de vida do seu autor, em qualquer dia) os autores que querem ter a chance de viver disso, têm que sair e se promover por aí.  Eu considero uma honra quando a editora me pede para conhecer os meus leitores, então eu participo de turnês sempre que possível. (O Facebook também é uma ferramenta legal para se comunicar com os leitores. Na verdade, eu adoro falar com os meus leitores porque eles costumam se parecer comigo: pessoas introvertidas que adoram falar sobre livros). Resta o terceiro eu, o meu eu do dia a dia, que leva uma vida normal — fazendo compras no mercado, brincando com meus gatos ou lendo.  Quando eu paro de escrever, não é difícil voltar para o meu eu normal. Quer dizer, é claro que eu sempre tenho uma história em mente, mas eu compararia com um cirurgião, que uma hora está mexendo com as entranhas de um paciente, e depois vai para casa e conversa com a esposa sobre as flores que eles vão plantar na primavera.  Escrever é o meu trabalho. É um trabalho que eu amo e quero fazer para a vida toda, mas ainda assim, é um trabalho.
  
Somos muito gratos pela oportunidade de recebê-la no Blog PontoComCultural!


Traduzido por Larissa Rumiantzeff

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