Resenha - Objetos Cortantes - Editora Intrínseca


Título Original: Sharp Objects
Autor(a): Gillian Flynn
Tradutor(a): Alexandre Martins
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Ano de Lançamento: 2015
Gênero: Thriller psicológico

Sinopse: Recém-saída de um hospital psiquiátrico, a repórter Camille Preaker tem um desafio pela frente: retornar à sua cidade natal para investigar o brutal assassinato de uma menina e o desaparecimento de outra. Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito ano antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã que praticamente não conhece. Hospedada na casa da família, a jornalista precisa lidar com as memórias difíceis de sua infância e adolescência. E, à medida que as investigações para elaborar sua matéria avançam, Camille passa a desvendar segredos perturbadores, tão macabros quanto os problemas que ela própria enfrenta.

Eu já tinha lido Garota Exemplar, da mesma autora e, embora ele tenha me tirado a paciência, resolvi dar uma chance a Objetos Cortantes.

A realidade é que Gillian Flynn escreve muito bem e de uma forma que desperta a curiosidade do leitor, que quer descobrir o desenlace da história. No entanto, ela também cria tantas reviravoltas que às vezes se torna cansativa a leitura.

O estilo da autora é, ao mesmo tempo, um chamariz para prender nossa atenção e um grito desesperado para terminar logo a agonia, porque ela não se limita a apresentar o caso a ser desvendado, mas também faz uma análise bem crua dos personagens.    

Isso fica muito claro em Objetos Cortantes, em que quase todos eles são problemáticos, cheios de segredos, vivem às turras e não se entendem.

A família da protagonista, Camille, é toda disfuncional. Ela tem uma dificuldade enorme de enfrentar os próprios demônios. A mãe é intragável; o padrasto é pusilânime; e a meia-irmã não é confiável. 

As pessoas, na vida real, efetivamente não são lineares. Porém, no afã de criar uma obra marcante e mostrar credibilidade, o livro se torna um tanto quanto exaustivo, especialmente porque não se vê um esforço genuíno dos personagens para saírem de uma situação que só lhes prejudica emocionalmente. Contudo, talvez seja esta a principal intenção da obra: mostrar pessoas que não conseguem sair de sua espiral de baixa autoestima, se apegam a qualquer coisa e, quando algo dá errado, continuam no círculo vicioso.

No meio de todo esse imbróglio, Camille tem uma reportagem investigativa para fazer, o que abre feridas antigas e faz surgir outras.            

Sendo bastante sincera, acho que tenho bipolaridade literária: gostar mesmo, eu não posso dizer que gostei (sabem aqueles livros que terminamos e não temos certeza do que sentimos por ele? Então...), mas a escrita é boa e as percepções dos leitores são diferentes.

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Resenhista colaboradora Rita de Cássia

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