Resenha - A vida virtual como ela é - Réptil Editora


Autor(a): Luisa Mascarenhas
Editora: Réptil
Páginas: 208
Ano de Lançamento: 2017
Gênero: Crônica Brasileira

Sinopse: Em seu livro de estreia, Luisa Mascarenhas apresenta as melhores crônicas publicadas em sua página Pirei Online, no Facebook. Através de diálogos cômicos, a autora aborda as maluquices, os problemas e os comportamentos típicos do mundo virtual.
O universo revelado em suas crônicas é aquele em que estamos imersos em nosso cotidiano: redes sociais, aplicativos de encontro, WhatsApp e afins. É sobre o impacto dessa constante conectividade, exposição e interatividade que a autora nos faz refletir, ao mesmo tempo em que tira boas risadas dos leitores.
Sempre com muito humor e irreverência, o livro trata de temas presentes na vida de todos nós: invasão de privacidade, ciúme, carência, insegurança, encontros, traição, paranoia, compulsão, conquistas e... amor!

Dentre os gêneros literários que mais gosto de desbravar, crônica, de longe, é o meu favorito porque nos remete à reflexão ao abordar nosso dia a dia de maneira inteligente, criativa e divertida. E em A Vida Virtual Como Ela É não poderia ser diferente.
                
Em uma aposta assertiva da Réptil Editora, Luisa Mascarenhas traz uma elaborada e bem humorada seleção de casos ironicamente familiares que retrata a dimensão da participação do mundo digital em nossas vidas. É praticamente impossível não se identificar com uma ou várias situações tamanha a veracidade textual.

Quem nunca stalkeou a rede social do namorado, marido ou de ex-parceiros? Quem não sentiu seu coração apertar ao ver seu amorzinho vasculhar suas contas virtuais e desenterrar seu eu virtual muitas vezes nada agradável? Quem ainda não postou aquela selfie com biquinho e ficou quase louca à espera de curtidas?

Este livro leve, divertido e didático problematiza sutilmente, às vezes diretamente, o modo como lidamos e nos entregamos a essa forma de comunicação e o quão relevante as mídias se tornaram para nosso equilíbrio emocional.

É interessante e assustador perceber o quanto de nossa vida anda dependente de um like ou de visualizações. Se o capitalismo gerou a máxima: “O valor de uma pessoa é medido pela quantidade de bens”, a rede social inovou com “O valor de uma pessoa é medido em número de likes e seguidores.”

Através do sentimento de vergonha alheia em relação às personagens envolvidas em cada crônica, podemos ter uma visão privilegiada do modus operandi da virtualização nas relações românticas ou de amizades, e assim analisamos nosso comportamento para então percebermos que aquelas pessoas sobre as quais estamos lendo e rindo, são reflexos dos nossos padrões atuais e o quanto essa exposição exacerbada acaba nos prejudicando enquanto ser social e emocional. É terrível observar que, mesmo não querendo, acabamos escravos das mídias sociais.

A Réptil Editora foi bastante feliz em apostar nessa autora maravilhosa de cujos textos virei fã, e recomendo fortemente a todos que optam por uma leitura bem humorada e atrativa, com um cunho reflexivo sutilmente empregado.

Onde encontro para comprar?

Réptil Editora https://goo.gl/YrfUau

Resenhista colaboradora Carla Oliveira

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